Deputado pede investigação sobre exonerações no IBGE às vésperas de divulgação do PIB
O deputado Ubiratan Sanderson afirma que mudanças recentes na chefia ocorreram em momento sensível do calendário estatístico
O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU) a abertura de um procedimento de fiscalização sobre a governança e a transição de cargos estratégicos no IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), após exonerações na área responsável pelas Contas Nacionais, setor que calcula o PIB do país.
No ofício – obtido em primeira-mão por O Antagonista – encaminhado ao presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho, o parlamentar afirma que mudanças recentes na chefia e a saída de técnicos do setor ocorreram em momento sensível do calendário estatístico, a poucas semanas da divulgação dos dados do PIB de 2025.
Segundo ele, a exoneração da coordenadora da área de Contas Nacionais teria sido seguida por pedidos de desligamento de outros servidores, o que poderia afetar a continuidade dos trabalhos.
Sanderson sustenta que a área é responsável por funções consideradas estratégicas, como revisão de metodologias, atualização de séries históricas e adaptação a padrões internacionais de estatística. Para o deputado, alterações abruptas no quadro técnico podem comprometer a confiabilidade das informações produzidas e ter reflexos na formulação de políticas públicas e na percepção de agentes econômicos.
O parlamentar também menciona reuniões do sindicato de servidores do instituto com o governo federal para tratar das mudanças internas e cita que o próprio IBGE reconheceu a necessidade de um processo de transição entre coordenações para manter o cronograma de divulgações previsto para 2026. Além disso, aponta que a suspensão temporária de iniciativas internas, como o programa IBGE+, teria ampliado o clima de instabilidade na instituição.
No documento, Sanderson argumenta que as exonerações podem ter violado princípios constitucionais da administração pública, como legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, ao supostamente colocar em risco a continuidade de um serviço considerado essencial. Ele pede que o TCU avalie a governança do instituto, solicite esclarecimentos formais ao IBGE e, se necessário, emita recomendações para evitar que mudanças em cargos estratégicos afetem a credibilidade das estatísticas oficiais.
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