Dennys Xavier na Crusoé: Contra a ética altruísta
Amar a si mesmo é não apenas legítimo, mas necessário
“O coletivismo exige que o homem renuncie à sua mente, à sua vida e ao seu julgamento moral; que ele se torne uma célula sacrificável de um corpo sem identidade”. (Ayn Rand, A Virtude do Egoísmo)
Há uma tênue, mas definitiva fronteira entre viver e apenas existir.
Atravessá-la exige mais do que vontade: exige uma escolha, ato decisório.
Não qualquer escolha, mas aquela que eleva a razão, o entendimento, como farol e relega a evasão da realidade ao ostracismo moral.
Em um tempo que celebra a fluidez das verdades e a plasticidade amorfa dos princípios, o que significa afirmar que a ética deve ser objetiva?
Vivemos uma era em que o subjetivismo é quase uma religião (penso estarmos de acordo sobre essa impressão geral).
As pessoas dizem: “minha verdade”, como se a verdade fosse um guarda-chuva personalizado, feito sob medida para proteger apenas contra as chuvas que incomodam o seu portador.
Mas, como ensina a filósofa Ayn Rand, devemos nos desafiar a rejeitar esse conforto narcísico.
Para ela, não há moral sem realidade. Não há valor sem vida. E não há vida digna sem razão.
O ser humano é o único animal que pode agir contra si mesmo; e o faz, frequentemente.
Ele pode desejar a morte e chamar isso de sacrifício. Pode anular a própria mente e chamar isso de fé.
Mas não pode mudar as leis da realidade. A gravidade não se curva ao desejo; tampouco a moralidade pode ser separada dos fatos.
A ética objetivista propõe que o padrão de valor moral seja a própria vida do homem: a vida enquanto homem.
Isso significa viver segundo a natureza de um ser racional. E isso exige mais do que simplesmente estar vivo: exige pensar.
Escolher a razão como guia. Recusar a escuridão como método.
Para Rand, a razão é a única ferramenta que o ser humano possui para sobreviver.
Renunciar a ela é como um náufrago que queima a sua única boia em nome da esperança de que o mar se torne sólido. A esperança irracional não é virtude. É vício.
A ética, portanto, não é um código imposto por Deus, nem uma convenção inventada por uma assembleia tribal.
Ela é uma consequência lógica do fato de que o homem precisa agir para viver, e que suas ações precisam ser guiadas por princípios verdadeiros, vale dizer, congruentes com a realidade.
Ética é o mapeamento do que promove ou destrói a vida humana. Assim como a medicina busca curar o corpo, a ética objetiva busca nutrir a alma racional.
A moralidade não é opcional no sentido profundo. Pode-se ignorá-la, como se ignora uma febre, mas não se pode escapar das consequências.
O homem é livre para errar, mas não para…
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