Dennys Xavier na Crusoé: A escravidão de um brasileiro
Se o brasileiro quiser ser livre, precisará antes reconhecer que vive em cativeiro. Não o cativeiro das senzalas, mas o das repartições
O brasileiro comum trabalha cerca de cinco meses por ano apenas para pagar impostos. É como se os 149 primeiros dias do ano civil fossem legalmente sequestrados pelo Leviatã. Trabalha-se não para si, nem para sua família, mas para sustentar um Estado que, como um grande e amorfo ser parasitário, exige sacrifícios sem jamais se satisfazer.
Toda tributação é, em essência, uma forma de roubo institucionalizado. Dito de outro modo, nas palavras de Rothbard, “a expropriação compulsória da propriedade de um indivíduo pelo Estado não difere, em princípio moral, de um assalto armado”.
A única diferença entre o ladrão vulgar e o Estado moderno é que o segundo se reveste da ficção jurídica da legalidade; logo, como disse certa vez um cientista político: você não paga impostos para ter ou receber as coisas como contrapartida, paga para não ser preso.
Condição servil
Essa condição na qual o cidadão é obrigado a trabalhar para o Estado antes de usufruir do fruto de seu próprio labor, caracteriza aquilo que na tradição clássica seria considerado condição servil. Não se trata de metáfora.
Trata-se de uma realidade estruturada em leis, códigos tributários e políticas públicas cujo fundamento último é a subjugação do indivíduo ao bem-estar de uma coletividade abstrata, isto é, ao capricho do burocrata (que usará o poder financeiro concedido a ele – em nome da democracia! – para… se eleger e reeleger, nada mais).
Sim, há um tipo de opressão que não impõe grilhões de ferro, nem chicoteia as costas do servo, nem o arrasta aos campos de algodão. Essa opressão se oculta sob a aparência de civilidade, sob a roupagem moral das instituições, sob a liturgia fiscal dos deveres para com a pátria. Ela não se anuncia como tirania: ela se proclama “justiça social”. Impõe-se para além da força direta: se impõe pelo hábito, pelo medo, pela moral de rebanho.
Tal é a condição do trabalhador brasileiro. Um homem que não é senhor de si, pois durante quase metade do ano trabalha não para viver, mas para sustentar uma engrenagem que, em nome do bem comum, arruína a escassez do…
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Comentários (2)
Ita
04.10.2025 11:27Eu não me importaria de ser servil só queria ser bem tratado, ou seja, tivesse retorno decente dos serviços públicos básicos.
Marian
04.10.2025 10:55É tudo tão difícil, que não temos problemas com nossa gigantesca fronteira. Quem se atreve a encarar isso? Uma grande parte, trabalha, e nem esgoto ou água potável tem.