Dennys Xavier na Crusoé: A cidade sitiada

04.02.2026

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Dennys Xavier na Crusoé: A cidade sitiada

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Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 01.11.2025 09:00 comentários
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Dennys Xavier na Crusoé: A cidade sitiada

A verdadeira cidade não é aquela que se abstém de punir, mas a que sabe punir com medida, direção e propósito

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3 minutos de leitura 01.11.2025 09:00 comentários 1
Dennys Xavier na Crusoé: A cidade sitiada
Rio de Janeiro durante Megaoperação Contenção. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A tradição clássica, desde Aristóteles, jamais confundiu a violência da injustiça com a força da justiça.

Para o filósofo da pólis, a krátos (o poder de ação) não é um mal em si, mas um instrumento da razão quando submetido à díkē, à justiça.

A verdadeira cidade não é aquela que se abstém de punir, mas a que sabe punir com medida, direção e propósito.

A força legítima é aquela que nasce da responsabilidade de preservar a ordem, proteger os inocentes e restaurar o equilíbrio violado.

Quando o Estado empunha a espada não por ira, mas por dever, ele não se iguala ao criminoso: ele o enfrenta com autoridade moral superior.

Ignorar essa distinção é lançar a cidade no abismo da anarquia sentimental, em que toda repressão é lida como abuso, e toda firmeza como opressão.

Se desejamos reparar o que foi corrompido, devemos reabilitar a coragem da autoridade (por óbvio, não como tirania, mas como expressão madura da razão política).

Pois uma cidade que renuncia ao direito de defender a si mesma, cedo ou tarde, se curva diante daqueles que jamais desistiram de conquistar pelo medo o que não conquistariam pela justiça.

A verdadeira barbárie, então, não é a que vimos pelas telas dos nossos celulares ou televisores nesses dias marcados por incredulidade.

É a de bem antes, a que foi tolerada. A barbárie não começou com os tiros nas encostas nem com os blindados a rasgar as vielas.

Começou muito antes, nos gabinetes confortáveis da burocracia em que a covardia foi travestida de prudência, nas redações em que o medo de parecer severo foi disfarçado de compaixão, nas universidades onde a indulgência se fez doutrina/ideologia e o criminoso se tornou personagem romântico, caricato: uma “vítima” sempre, apesar de tudo.

O que vivemos agora é apenas o saldo. O preço do que denomino um “adiamento moral”. Porque a civilização não se destrói de fora: ela apodrece por dentro, lentamente, enquanto seus próprios guardiões desistem de defendê-la (ou se enganam nas escolhas pensadas para a tarefa).

Por décadas, ensinou-se ao cidadão que reagir era violência, que punir era vingança, que conter era opressão.

A cada crime desculpado, a cada transgressão relativizada, a cada morte esquecida sob o pretexto da “inclusão social”, mais um tijolo da ordem era removido.

E agora, quando o edifício desaba, muitos se horrorizam com a poeira manchada por sangue. Fingem espanto diante do caos que eles próprios ajudaram a parir.

Não, a barbárie não é o hoje: o hoje é…

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Comentários (1)

Celia Maria Penedo

01.11.2025 09:55

Excelente reflexão. Parabéns


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