Crusoé: Crime e corporativismo
Votação na Alerj que blindou Rodrigo Bacellar reforça autoproteção do Legislativo fluminense e mina combate ao crime organizado
A blindagem da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ao presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, escancarou a lógica de proteção mútua entre parlamentares.
Acusado de avisar o ex-deputado TH Joias — preso por ligação com o Comando Vermelho (CV) — sobre uma operação policial, Bacellar foi preso preventivamente, mas teve sua soltura aprovada pelos colegas da Alerj com ampla margem: 42 votos a favor, 21 contra e duas abstenções.
A votação jogou um balde de água fria no cidadão fluminense, que acompanhou com otimismo a Operação Contenção contra o crime organizado no Complexo do Alemão e na Maré.
“Esse corporativismo dos deputados da Alerj é deletério para as instituições políticas do Rio de Janeiro. Para a democracia do Rio. Passar essa mensagem para a população de que há um coleguismo que impede a devida investigação e a responsabilização, descredibiliza as instituições. A transparência deveria ser a regra“, afirma Daniel Hirata, professor de sociologia e coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Bacellar chegou a admitir essa lógica de autoproteção em depoimento à PF, ao afirmar que não estava ali “pra entregar colega”.
Para a ONG Transparência Internacional, o episódio se assemelha à “Omertà”, a lei do silêncio típica das máfias.
A soltura do parlamentar ocorreu na terça, 10, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o uso de tornozeleira eletrônica.
Corporativismo
Nos corredores da Alerj, o resultado já era tratado como “certo”. Ex-braço direito do governador Cláudio Castro, Bacellar era visto como alguém a ser resgatado antes mesmo da votação.
“Existe mesmo um sentimento de proteção aqui dentro da Casa. Parte dos deputados acredita que ele deveria ser solto, e não ter a Presidência”, confidenciou um assessor parlamentar.
O deputado Luiz Paulo (PSD), que votou contra, reconheceu o corporativismo…
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