Josias Teófilo na Crusoé: A elite dos excessos
Entre luxo, devoção e escândalo, a história de Anita Harley expõe a persistência da cultura das casas-grandes no Nordeste
A Globoplay lançou uma série-documentário chamada “O testamento: o segredo de Anita Harley”.
A série trata da disputa intrincada pelo espólio da herdeira das Casas Pernambucanas.
Anita, ao que tudo indica, era lésbica, mas não chegou a formalizar a união com ninguém, e deixou toda uma rede de relações que não eram claras, pois ela era muito discreta em sua vida pessoal.
O resultado é uma briga judicial sem precedentes na Justiça brasileira, em que duas mulheres afirmam serem suas ex-companheiras, e um rapaz (filho de uma delas) afirma ser filho sócio-afetivo.
Para além da história, que prende a atenção do começo ao fim da série em cinco capítulos, há um subtexto que merece ser observado.
Anita Harley é descendente da família Lundgren, que desenvolveu em Pernambuco uma das maiores fábricas do país.
A família, de origem sueca, criou raízes em Pernambuco — não é à toa que boa parte dos entrevistados tem sotaque pernambucano bem característico.
E mais do que sotaque: há um caldo cultural bem nordestino em toda a série. Reconheci logo características marcantes da elite pernambucana que tem origens ancestrais.
Gilberto Freyre descrevia as casas grandes como ambientes de excessos. Excessos de poder, de luxo, de ostentação, de fervor sexual. Tudo nessa elite açucareira era excessivo.
Os senhores de engenho tinham um poder quase ilimitado que poucos soberanos chegaram a ter.
Eram senhores da família, agregados, escravos e trabalhadores, e até dos religiosos.
Na série, a mãe de Anita Harley, Dona Helena Lundgren, foi descrita desta forma: “Ela era uma rainha”.
A obra fala do hábito que tinham de ter “damas de companhia” na família. As senhoras andavam com um séquito de empregados e agregados.
Uma das damas de companhia é Suzuki, que pediu na Justiça, após Anita Harley entrar em coma, o reconhecimento da união estável com ela.
A Justiça concedeu o reconhecimento….
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