“Crimes se encontram na lavagem de dinheiro”, diz Alessandro Vieira sobre ministros do STF
Relator da CPI do Crime Organizado afirma que não há acusação, mas “fato relevante” a apurar no Senado
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou nesta segunda-feira, 2, que a comissão investiga estruturas financeiras que podem ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro e que, no curso da apuração, surgiram elementos envolvendo familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada em entrevista ao programa Roda Viva.
“Todos os crimes se encontram na lavagem de dinheiro. O crime organizado, de verdade, depende fundamentalmente de infiltração no Estado e de ferramentas para a lavagem de dinheiro”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a CPI chegou a determinadas informações a partir de dados relacionados ao fundo Reag, que, conforme denúncia do Ministério Público Federal, teria realizado operações de lavagem para o Primeiro Comando da Capital. “A gente chega nessa investigação através da CPI, quando chegam as informações do fundo Reag, que transaciona através do Master e que, segundo denúncia do Ministério Público Federal, faz lavagem de dinheiro para o PCC”, disse.
Vieira afirmou que, a partir desse ponto, surgiram registros de recursos que teriam transitado por esses fundos e alcançado contas de familiares de um ministro do STF. “Mais adiante, a gente tem a notícia de que recursos que transitam por esses fundos vão parar nas contas de familiares de um ministro”, declarou.
O relator ressaltou que não há acusação formal contra integrantes da Corte. “A gente não está fazendo uma acusação ao ministro de que ele seja faccionado, nem está dizendo que ele cometeu um crime, mas existe um fato relevante que precisa ser apurado”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “A CPI é o lugar adequado porque hoje, no Brasil, o único espaço com disposição para fazer essa apuração é o Senado”.
O senador também mencionou contrato de R$ 129 milhões envolvendo a esposa de um ministro do STF e o Banco Master. Segundo ele, o procurador-geral da República já se manifestou no sentido de que não haveria necessidade de investigação. “Ele não achou nada suspeito ou diferente”, ressaltou.
Leia mais: Escândalo é grande demais para ser empurrado para debaixo do tapete, diz Vieira
Na mira da CPI
A CPI aprovou, na última quarta-feira, 25, requerimentos para ouvir, como convidados, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Os convites não impõem obrigação legal de comparecimento. O relator também anunciou que vai contestar decisão do ministro Gilmar Mendes que anulou a quebra de sigilo da empresa Maridt, cujos sócios formais são irmãos de Toffoli. Segundo Vieira, apenas com acesso aos documentos será possível esclarecer a natureza das operações financeiras sob análise.
Leia também: “Alinhamento perverso”: CVM descreve engrenagem por trás do caso Master
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)