CPI vota quebra de sigilo de empresa ligada a Toffoli
Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, relata pressão de ministros do STF, mas mantém votação
A CPI do Crime Organizado no Senado votará no próximo dia 25 o pedido de quebra do sigilo fiscal da Maridt Participações S.A., empresa que tem como sócio o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O requerimento foi apresentado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), com apoio do presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES).
O pedido é direcionado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e inclui a elaboração de relatórios de inteligência financeira.
Além do sigilo fiscal, o senador solicita a quebra dos sigilos bancário, telefônico e telemático da empresa no período de 1º de janeiro de 2022 a 8 de fevereiro de 2026.
Pressões e reação do STF
Vieira admitiu nesta sexta-feira, 13, que sofre pressão de ministros do STF e de lideranças políticas para barrar iniciativas da CPI relacionadas a Toffoli.
“Sempre há pressão quando se lida com investigados deste tamanho. São bilhões de reais e figuras muito poderosas nas três esferas do poder”, disse à GloboNews.
“Isso é completamente previsível. Não foi a primeira vez nem será a última.”
O relator também criticou nota assinada por ministros da Corte em defesa de Toffoli e a classificou como um “vexame”.
“Os recados que estão sendo enviados para a Polícia Federal são terríveis, são duríssimos. A nota publicada por dez ministros do Supremo é um vexame porque diz que Toffoli não pode continuar como relator, mas, ao mesmo tempo, afirma que ele é imaculado e intocável.”
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Maridt
A Maridt pertence a dois irmãos do ministro do STF e também tem participação de Toffoli.
Em 2025, a empresa vendeu sua fatia em um resort no Paraná que tinha como sócio o pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
Na última quinta, o gabinete do ministro divulgou uma nota em que confirma o recebimento de repasses por meio da Maridt, após ela vender suas participações no grupo Tayaya Ribeirão Claro em fevereiro de 2025.
No comunicado, o ministro afirmou que não tem relações de intimidade com Vorcaro.
Segundo a nota, a Maridt é uma empresa familiar, constituída como sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com declarações anuais à Receita Federal “devidamente aprovadas”. Toffoli integrava o quadro societário, mas a administração é exercida por parentes.
O caso está sendo alvo de apuração da Polícia Federal.
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Comentários (1)
Annie
14.02.2026 10:42Parabéns ao senador Alexandro Vieira e a Contarato.👏