Correios elevam meta do plano de demissão voluntária
Estatal tem acumulado prejuízo ano após ano; apenas até setembro de 2025, já soma um déficit de R$ 6,1 bilhões
Os Correios decidiram elevar para 15 mil o número de adesões esperadas ao Programa de Demissão Voluntária. A direção prevê o desligamento de 10 mil funcionários em 2026 e de outros cinco mil no ano seguinte, com economia estimada em R$ 1,4 bilhão.
O plano integra o documento “Correios em Reestruturação”, apresentado aos empregados como base das mudanças previstas entre 2025 e 2027. A administração aponta a necessidade de uma reformulação profunda para enfrentar a crise financeira da estatal.
Segundo o informativo, o PDV será “uma iniciativa totalmente voluntária, com condições atrativas e seguras para quem optar pela adesão”. O mesmo texto comunica o adiamento, para 2027, das contratações do concurso público concluído no fim do ano passado.
Além das saídas previstas, a empresa afirmou que revisará a própria estrutura organizacional e implementará um novo Plano de Cargos e Salários até dezembro de 2026. Os Correios não detalharam como será essa reformulação.
A estatal tem acumulado prejuízo ano após ano desde 2022 e, apenas até setembro deste ano, já soma um déficit de R$ 6,1 bilhões.
Ajustes no plano de saúde
O plano de reestruturação inclui mudanças no plano de saúde até junho de 2026 para torná-lo financeiramente sustentável.
A direção também promete medidas de melhoria na gestão do Postalis até março de 2026.
Outra frente é a revisão técnica de mil unidades consideradas deficitárias. O documento explica que o processo analisará locais com baixo movimento, custos muito acima da média ou regiões onde alternativas, como o Correios AQUI, possam funcionar com mais eficiência.
“Isso significa avaliar situações reais”, diz o comunicado.
No curto prazo, a prioridade da estatal é regularizar pagamentos a fornecedores até janeiro de 2026. Para isso, negocia um empréstimo bancário de cerca de R$ 20 bilhões dividido entre 2025 e 2026.
A direção afirma que segue em busca de condições mais favoráveis após a reprovação do Tesouro Nacional, que considerou altos os juros propostos pelos bancos.
O documento também menciona tratativas com o governo para um possível aporte emergencial, caso o empréstimo não avance.
A administração federal avalia uma “solução-ponte” que permita a execução do plano sem que a estatal aceite condições consideradas desvantajosas.
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