China reage à decisão dos EUA sobre PCC e CV com recado diplomático
Pequim evitou comentar diretamente a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas e reafirmou posição contra ingerência em assuntos internos
A China reagiu nesta sexta-feira, 29, à decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas internacionais.
Questionada sobre o tema, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou que Pequim defende “consistentemente” o princípio da “não interferência” em assuntos internos de outros países.
A declaração foi divulgada pelo Global Times, jornal ligado ao Partido Comunista Chinês.
A manifestação ocorre dias após o governo de Donald Trump anunciar a inclusão das duas facções brasileiras na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados”. A partir de 5 de junho, PCC e CV também passarão a ser classificados pelos EUA como “Organizações Terroristas Estrangeiras”.
O anúncio coincidiu com a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, onde ele se reuniu com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
A ofensiva contra organizações criminosas latino-americanas vem sendo ampliada pela Casa Branca desde 2025, quando o governo americano passou a tratar o narcotráfico como tema de segurança nacional.
No mesmo dia da declaração chinesa, Pequim confirmou que o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, fará visita oficial ao país entre 31 de maio e 2 de junho, a convite do ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi.
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