Castro mantém exoneração de secretário assinada por presidente da Alerj
Governador do Rio classificou o ato de Bacellar como "intempestivo e desrespeitoso", mas admitiu que a demissão era questão de tempo
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), manteve nesta quinta-feira, 10, a decisão do presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), de exonerar o secretário de Transportes, Washington Reis (MDB), durante uma viagem do mandatário ao exterior.
Em postagem no X, Castro afirmou que a demissão de Reis “já vinha sendo tratada e discutida” entre os aliados, em razão de suas “sinalizações” desconectadas de seu grupo político.
No entanto, o governador classificou o ato de Bacellar como “intempestivo e desrespeitoso” ao decidir exonerar o secretário sem sua aprovação.
“Ao longo de toda a minha trajetória, sempre acreditei que a boa política é feita com diálogo, respeito e muito trabalho. À frente do Governo do Rio, sempre primei para que, eu e todo o nosso time, colocássemos os interesses da população acima de qualquer ambição, política ou pessoal.
A demissão do secretário Washington Reis vinha sendo tratada e discutida, nas últimas semanas, por conta de suas sinalizações, desalinhadas ao nosso grupo político. Ela já estava em minha previsão e seria realizada após o retorno do meu período de férias.
Este fato não justifica o ato intempestivo e desrespeitoso do presidente da Assembleia em exonerá-lo sem a minha aprovação ou sem dialogar com os campos políticos de nossa base.
Mantenho a exoneração de Washington Reis, mas este assunto será discutido pelos presidentes de partidos do nosso campo político, já que a sucessão ao governo estadual é um projeto de um campo político e não de um desejo pessoal e descoordenado“, escreveu Castro.
Crise
Bacellar publicou a demissão de Reis na última quinta, 3, em meio à viagem de Castro para fora do país.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), em entrevista ao site Agenda do Poder,disse ter pedido a Castro que revogasse a exoneração de Washington Reis e negociasse uma “saída no diálogo” entre Bacellar e o ex-secretário de Transportes.
“Sugeri ao governador que revisse a exoneração, ele próprio fazendo ou alinhado com Rodrigo Bacellar. Washington Reis é uma grande liderança e é importante estar no nosso time em 2026”, disse Flávio ao Globo.
O presidente da Alerj, contudo, afirmou que deixaria de ser candidato ao governo do Rio caso fosse desautorizado por Cláudio Castro.
Bacellar e Reis, os dois envolvidos diretamente na crise, disputam o apoio da família Bolsonaro para concorrer ao Palácio Guanabara na eleição de 2026.
Manobra
Em abril do ano que vem, Castro deve abrir mão do restante de seu mandato para focar na disputa por uma vaga no Senado Federal.
O nome de seu ex-vice, Thiago Pampolha, foi aprovado para uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE), o que abriu espaço para Bacellar concorrer ao Palácio Guanabara em 2026.
Até então, o sucessor imediato para assumir os últimos meses do governo do Rio – e ser conhecido pelos eleitores – era justamente o presidente da Alerj.
Agora, com a crise instalada, o nome de Bacellar deixa de ser uma certeza absoluta.
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