Caso Master: Mendonça retoma “fluxo ordinário” de perícias
Decisão derruba restrições impostas por Dias Toffoli ao trabalho dos peritos e investigadores
O ministro André Mendonça (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira, 19, a retomada do “fluxo ordinário” de perícias e depoimentos nas investigações feitas pela Polícia Federal (PF) no caso do Banco Master.
A decisão ocorre após o antigo relator, ministro Dias Toffoli, ter determinado que todos os bens e documentos apreendidos pela PF fossem lacrados e armazenados no STF. Em seguida, Toffoli ordenou que os itens fossem enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR).
No despacho, o ministro derrubou as restrições impostas por Toffoli, mantendo, porém, o sigilo sobre todos os conteúdos.
Mendonça autorizou o “fluxo ordinário” das atividades periciais e diligências, incluindo oitivas de investigados e testemunhas.
Segundo o ministro, “a adoção do fluxo ordinário de trabalho pericial da Instituição, bem como a realização de diligências ordinárias que se façam eventualmente necessárias – como, por exemplo, a oitiva de investigados e testemunhas nas dependências da Polícia Federal –, está autorizada, desde que respeitada a devida compartimentação das informações e a congruência com os princípios da preservação do sigilo e da funcionalidade”, diz a decisão de Mendonça.
A decisão atende a uma solicitação da Polícia Federal por autorização para custódia, análise e extração de dados nos moldes institucionais previstos nos normativos internos da corporação.
Mendonça assume inquérito do Master
André Mendonça foi sorteado na última quinta-feira, 12, como novo relator do inquérito que investiga suspeitas de fraudes e irregularidades envolvendo o Banco Master.
A redistribuição ocorreu após o ministro Dias Toffoli pedir para deixar a condução do caso no mesmo dia, depois de reunião convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Toffoli estava à frente da investigação desde novembro de 2025.
A saída foi motivada por relatório da Polícia Federal que apontou menções ao ministro em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do banco.
O conteúdo dessas mensagens permanece sob segredo de Justiça.
A reunião entre os ministros durou cerca de três horas e teve como objetivo apresentar formalmente o relatório da PF e discutir os desdobramentos institucionais do caso.
Durante o encontro, Toffoli inicialmente defendeu permanecer na relatoria, mas acabou concordando com a saída diante da repercussão pública.
Em nota oficial, os integrantes do STF manifestaram apoio ao ministro e afirmaram que não havia elementos jurídicos que configurassem impedimento ou suspeição. A Corte também declarou válidos todos os atos praticados por Toffoli enquanto esteve à frente do inquérito, garantindo a continuidade das investigações sem anulação de provas.
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