Cármen Lúcia vai relatar código de ética do STF
"No plano interno, destaca-se a promoção do debate institucional sobre integridade e transparência", disse Edson Fachin durante a abertura do ano do Judiciário
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira, 2, que a ministra Cármen Lúcia irá relatar o código de ética do STF.
A proposta vinha sofrendo resistência por parte de alguns magistrados.
“No plano interno, destaca-se a promoção do debate institucional sobre integridade e transparência; agradeço, de público, como já fiz diretamente a todos os integrantes deste Tribunal, a eminente Ministra Cármen Lúcia por ter aceitado a relatoria da proposta de um Código de Ética compromisso de minha gestão para o Supremo Tribunal Federal. Vamos caminhar juntos na construção do consenso no âmbito deste colegiado”, disse Fachin durante a abertura do ano do Judiciário.
“Impende dialogar e construir confiança pública porque nesta reside a verdadeira força do Estado de Direito, e é para o cidadão que todo o sistema de justiça deve permanentemente se orientar. Reitero o compromisso ético que todos devemos ter no exercício das funções públicas”, acrescentou.
Legitimidade institucional
Segundo Fachin, o protagonismo dos ministros “tem seus ônus e efeitos para a legitimidade institucional”.
“Entender isso é fundamental para avaliar corretamente o momento em que nos encontramos. Isso não significa que o Tribunal seja agente passivo das circunstâncias. Ao contrário, o protagonismo tem seus ônus e efeitos para a legitimidade institucional. Os ministros respondem pelas escolhas que fazem. As decisões que tomamos, os casos que priorizamos, a forma como nos comunicamos — tudo isso importa”, afirmou.
“Decorrido um ciclo de mais de trinta anos, iniciamos 2026. Agora, o desafio é diferente. Em termos mais específicos, a questão é a de saber se já chegou a hora de o Tribunal sinalizar, por seus próprios atos, que o momento é outro. Minha convicção é que esse momento chegou. A fase agora é da retomada plena da construção institucional de longo prazo”, seguiu.
“Cabe então refletir sobre a causa, não apenas quanto aos sintomas. É imprescindível ampliar a capacidade do próprio sistema político-institucional de processar demandas”, continuou.
Autocorreção
Fachin também falou que o momento é de “autocorreção”.
“Sem embargo desses reconhecimentos, o momento histórico é também de ponderações e de autocorreção. É hora de um reencontro com o sentido essencial da República, da tripartição real de Poderes e da convivência harmônica e independente, com equilíbrio institucional. Somos todos chamados a essa arena.
É que a democracia constitucional traduz obrigações de prestação de contas e de memória.”
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