Bretas sugere que Moraes cometeu crime de advocacia administrativa
Ex-juiz reagiu à notícia de que Moraes teria procurado presidente do BC para interceder no caso do Banco Master
O ex-juiz Marcelo Bretas (foto), responsável por processos da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, reagiu à notícia de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para interceder pelo Banco Master.
De acordo com a coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, foram feitos três contatos por telefone e um pessoalmente com Galípolo. Em todos os encontros, Moraes discutiu os problemas do banco de Daniel Vorcaro e buscou informações sobre o andamento da operação de venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB).
Como mostramos, a esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato com o banco de Daniel Vorcaro no valor aproximado de 130 milhões de reais.
Ao comentar a reportagem, Bretas sugeriu nesta segunda-feira, 22, em suas redes sociais, que Moraes cometeu o crime de advocacia administrativas.
“Crime de Advocacia administrativa
- Art. 321 – Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário: Pena – detenção, de um a três meses, ou multa.
Parágrafo único – Se o interesse é ilegítimo: Pena – detenção, de três meses a um ano, além da multa”, diz a publicação feita pelo ex-juiz da Lava Jato no Rio.
A matéria acrescenta que o próprio Moraes solicitou a Galípolo que fosse aprovada a venda do Master para o BRB. A operação, depois, foi alvo de uma operação da Polícia Federal por indícios de fraudes.
Prisão e soltura de Daniel Vorcaro
Em 18 de novembro, a PF prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele estava no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
De acordo com a corporação, Vorcaro pretendia deixar o Brasil com destino à Europa. A defesa de Vorcaro negou. Os advogados do banqueiro afirmaram que ele estava seguindo para o Catar negociar a venda do Master.
A prisão fez parte da Operação Compliance Zero, destinada a desarticular um esquema de emissão de títulos de crédito falsos envolvendo instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Em 28 de novembro, Vorcaro obteve a revogação de sua prisão. A decisão foi proferida pela desembargadora Solange Salgado, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A magistrada optou por substituir a custódia por um conjunto de medidas cautelares diversas da prisão.
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Comentários (2)
D artagnan
23.12.2025 12:50Este crime é previsto em lei que rege os servidores públicos, a perda do cargo, além de, responder processo administrativo, até a prisão pode acontecer. O Ministro precisa esclarecer muita coisa.
Clayton De Souza pontes
23.12.2025 09:09A existência do contrato da Viviane com o Master não foi contestada pelo Moraes, tampouco essa advocacia administrativa dele sobre o Galipolo. Importante que se jogue luz nessa bagunça. E aí PGR?