BRB admite possíveis aportes do governo do DF após perdas com Banco Master
Investigação apontou que banco de Daniel Vorcaro vendeu R$ 12,2 bi em carteiras falsas ao Banco de Brasília
O Banco de Brasília (BRB) informou que poderá receber aportes do governo do Distrito Federal (DF) para cobrir eventuais perdas com a compra de carteiras do Banco Master.
Controlado pelo governo do DF, o BRB apresentou, em março do ano passado, uma proposta para adquirir parte do Banco Master. A operação, no entanto, foi rejeitada pelo Banco Central (BC) em setembro.
A investigação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público detectou indícios de que a instituição de Daniel Vorcaro vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB e disponibilizou documentos falsos ao BC.
“O BRB informa que a apuração de possíveis prejuízos em função da compra de carteiras do banco Master ainda estão em apuração pelo Banco Central e pela auditoria independente da Machado e Meyer com suporte técnico da Kroll”, disse o BRB em nota nesta terça-feira, 13.
“Caso seja confirmado possível prejuízo, o BRB já tem pronto um plano de capital que, entre as opções, prevê aporte direto do controlador, que já sinalizou com essa possibilidade, ou outros instrumentos que possibilitem a recomposição do capital do Banco”, acrescenta.
Em acareação no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que a instituição não conseguiu recuperar cerca de R$ 2 bilhões investidos no Banco Master.
Segundo Costa, os valores estavam relacionados à aquisição de supostas carteiras de crédito consignado do Master.
O procedimento teria sido interrompido após o Banco Central decretar a liquidação da instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.
O Banco de Brasília figura como um dos credores do Banco Master no processo de liquidação extrajudicial conduzido pelo BC. Em nota, o BRB afirmou que aprimorou seus controles internos após a operação.
Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro são investigados por suspeitas de fraudes no sistema financeiro.
O suposto esquema
Técnicos do Banco Central afirmam que os fundos teriam sido utilizados para simular aportes de capital no Banco Master, criando a aparência de que a instituição dispunha de recursos suficientes para continuar operando nos meses que antecederam a liquidação.
Na prática, porém, os valores estariam lastreados em ativos de baixíssima liquidez e sobreavaliados, cujo valor real seria muito inferior ao registrado nas operações.
O modelo descrito pelo BC seguiria um padrão recorrente:
- Banco Master concedia empréstimos a empresas;
- Essas empresas aplicavam recursos em fundos;
- Os fundos compravam ativos de baixíssima liquidez por valores inflados;
- Esses ativos acabavam retornando, direta ou indiretamente, a fundos ligados a Vorcaro e a pessoas de sua confiança.
O documento do Banco Central também aponta falhas graves no gerenciamento de riscos da instituição.
Segundo a autarquia, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões, com elevada concentração em poucos clientes e em desacordo com princípios básicos de seletividade, liquidez e diversificação de riscos.
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