“Alinhamento perverso”: CVM descreve engrenagem por trás do caso Master
Presidente interino diz à CAE que irregularidades são monitoradas desde 2017 e que mais de 200 processos foram abertos
O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos Accioly, afirmou nesta terça-feira, 24, em audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o esquema envolvendo o Banco Master foi sustentado por incentivos distorcidos entre gestores, investidores e por manipulação contábil de ativos.
“Tinha um alinhamento perverso de incentivos entre os gestores e os investidores para manter essa ficção contábil”, disse.
Segundo Accioly, as irregularidades não se limitaram a uma única instituição e envolveram estruturas interligadas. “É sobre Master ou Reag, porque tem uma interligação entre eles. Desde 2017, já tem comunicações, que são feitas quando as áreas de investigação identificam irregularidades. E o processo da CVM corre em paralelo“, completou.
O dirigente afirmou que comunicações ao Ministério Público Federal deram base a investigações posteriores, incluindo a Operação Compliance Zero. Um dos ofícios tratava de empréstimos de cerca de R$ 500 milhões concedidos pelo Master a clínicas consideradas de fachada. O presidente interino negou omissão da autarquia e disse que a principal falha foi não divulgar as ações já adotadas. “Se houve omissão, foi na divulgação das ações que a CVM fez”, afirmou.
Segundo ele, a fiscalização começou anos antes das operações policiais. “A gente começou a mapear a era ligada ao Vorcaro. Já identificamos mais de 200 processos abertos. Vamos apurar o que foi feito em cada um”. Accioly também declarou que o banco utilizava ativos inflados para aparentar solidez financeira. “Assim, parecia solvente, quando não estava”, pontuou.
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