“Ainda há brasileiros com fome”, diz vereadora ao cobrar explicações sobre doações a Cuba
Cris Monteiro questiona envio de 20 mil toneladas de alimentos ao exterior enquanto “há milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar” no Brasil
A vereadora Cris Monteiro (Novo), de São Paulo, encaminhou ofício ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome solicitando esclarecimentos sobre o envio de mais de 20 mil toneladas de alimentos do Brasil para Cuba. O pedido foi motivado por informações divulgadas na imprensa sobre a doação de produtos como arroz, feijão e leite em pó ao país caribenho, no contexto de ações de cooperação internacional e ajuda humanitária diante da crise de abastecimento enfrentada pela ilha.
No documento, a parlamentar afirma que a cooperação internacional é uma prática legítima nas relações entre países, mas aponta a necessidade de transparência nas decisões, especialmente diante do cenário social brasileiro.
“A cooperação internacional é importante e faz parte da atuação do Brasil no cenário global, mas é fundamental garantir transparência sobre essas decisões, especialmente quando ainda há brasileiros enfrentando dificuldades no acesso à alimentação. Precisamos entender quais critérios foram utilizados para a destinação desses alimentos e como essas ações se conciliam com as necessidades internas do país”, afirmou.
A vereadora ressalta ainda que a Constituição Federal estabelece a alimentação como um direito social fundamental e afirma que políticas públicas voltadas ao combate à fome e à promoção da segurança alimentar devem ocupar posição central na atuação do Estado.
No ofício, Cris Monteiro solicita informações sobre a participação do ministério na destinação de alimentos ao exterior, a origem dos produtos doados e se eles são provenientes de programas públicos vinculados à segurança alimentar nacional. O documento também pede esclarecimentos sobre os critérios utilizados para a escolha dos países beneficiados, bem como os fundamentos técnicos, humanitários e diplomáticos que justificaram a priorização de Cuba nessas iniciativas.
A parlamentar afirma que o objetivo é compreender como a decisão foi tomada e de que forma ela se articula com as políticas internas voltadas ao enfrentamento da insegurança alimentar no país.
A secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Gisela Padovan, afirmou que o Brasil tem ampliado esse tipo de apoio. “Estamos fazendo várias doações, seja de remédios, seja de alimentos”, disse.
Segundo ela, remessas de medicamentos, incluindo tratamentos para tuberculose e outros fármacos essenciais, já foram enviadas por via aérea. No caso dos alimentos, a operação envolve maior complexidade logística e ocorre por meio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), das Nações Unidas, com a doação de cerca de 20 mil toneladas de arroz, além de feijão e leite em pó.
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