“A sociedade pode discordar”, diz novo presidente do TRE-SP
José Antônio Encinas Manfré coordenará as eleições de 2026 em SP; desembargador defende votação por meio de urnas eletrônicas
O desembargador José Antônio Encinas Manfré assumiu nesta sexta-feira, 27, a presidência do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). A cerimônia foi realizada na sede do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), no centro da capital, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Manfré é o 50º presidente da corte eleitoral paulista, e conduzirá o processo eleitoral de 2026, quando mais de 33 milhões de eleitores devem ir às urnas no estado. Embora Manfré já exercesse o cargo desde dezembro de 2024 – quando terminou o mandato do desembargador Silmar Fernandes – a posse solene marcou o início público de sua gestão. Seu mandato vai até dezembro de 2027.
Urnas e desconfiança
Antes da cerimônia, o magistrado atendeu a jornalistas e foi questionado sobre pesquisa Genial/Quaest que aponta divisão entre os brasileiros quanto à confiança nos equipamentos eletrônicos de votação: 53% dizem confiar nas urnas, enquanto 43% afirmam o contrário.
Manfré reconheceu o dado, mas defendeu o sistema. “O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo continua confiante nas urnas eletrônicas, já há 30 anos que são implementadas. Nesse período, nunca se demonstrou qualquer irregularidade que possa atingir o que nós almejamos: que é a verdade das urnas”, declarou.
O desembargador admitiu que a discordância da população é legítima, desde que se mantenha dentro dos limites legais. “A sociedade pode discordar de um serviço, de uma postura, ela pode discordar. Nós estamos em um país democrático. O que é fundamental é que as instituições sejam respeitadas e que, de acordo com a lei, possam haver eventuais discordâncias manifestadas. Mas nós continuamos seguros”, afirmou.
Polêmicos à vista?
Questionado sobre a possibilidade de candidatos polêmicos, como Pablo Marçal – que concorreu à prefeitura de São Paulo em 2024 e foi declarado inelegível por sua conduta na campanha – Manfré foi direto: “Nós não temos medo de quem quer que seja, seja A, B, C, D, E. Queremos é cumprir a lei, cumprir a jurisprudência. Queremos que a sociedade esteja esclarecida. Esse é o nosso objetivo. A Justiça Eleitoral não tem candidato. Para ela, não existe candidata ideal, candidato ideal, ou no sentido contrário. O que ela quer é emprestar serviço para esclarecimento da sociedade”.
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