A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado
A experiência de uma pequena cidade de colonização alemã em Santa Catarina tem chamado atenção por transformar a arquitetura tradicional em política pública
A experiência de uma pequena cidade de colonização alemã em Santa Catarina tem chamado atenção por transformar a arquitetura tradicional em política pública, com regras claras para preservar fachadas, telhados e escala urbana
Como a arquitetura tradicional alemã virou política pública
Em vez de permitir que cada construção siga preferências individuais, o município de Pomerode definiu normas para manter uma paisagem inspirada na tradição germânica.
Casas enxaimel, telhados de barro e ruas organizadas tornaram-se cartão-postal e motor do turismo regional.
Essas regras foram construídas ao longo de décadas, com participação de moradores, empresários e poder público.
A beleza urbana passou a ser tratada como bem coletivo, associado à autoestima local, à economia e à permanência das memórias da imigração.

Quais são as principais características da arquitetura tradicional alemã
Predominam construções baixas, com madeira aparente, telhas cerâmicas e proporções voltadas à escala humana.
O poder público restringe fachadas em formato de “caixa” e limita a altura dos prédios, evitando paredões que bloqueiam paisagens e luz natural.
Casas do século XIX convivem com edificações recentes que seguem princípios semelhantes.
Em muitos projetos, o enxaimel é usado em sistemas pré-fabricados, o que permite continuar produzindo o estilo hoje, sem restringi-lo apenas ao patrimônio antigo.
Como funcionam as regras de urbanismo e os incentivos locais
As normas urbanísticas incluem diretrizes para fachadas, calçadas, muros, coberturas, anúncios e cores.
Muros altos e portões totalmente fechados são desestimulados, buscando maior integração visual entre casas e rua, o que reforça a sensação de segurança e pertencimento.
Para estimular a adesão, a prefeitura combina fiscalização, benefícios fiscais e apoio técnico, criando também um pequeno ecossistema econômico ligado à estética germânica.
Entre as principais medidas, destacam-se:
- Isenção ou redução de impostos municipais para imóveis que seguem o estilo definido em lei;
- Programas de apoio à manutenção de estruturas de madeira e fachadas tradicionais;
- Orientação técnica gratuita para projetos novos e reformas antes do início das obras.

Como o turismo e a identidade cultural são fortalecidos
O cenário típico de cidade alemã atrai visitantes interessados em caminhar, fotografar e observar detalhes construtivos.
Pequenos museus, igrejas históricas, trilhas curtas e festas temáticas ligadas à cultura germânica reforçam essa atmosfera cotidiana e acolhedora.
Em muitos bairros, o idioma alemão ainda está presente na fala diária e em escolas, que oferecem ensino da língua.
Essa continuidade cultural ajuda a evitar a sensação de cenário artificial e sustenta a imagem de “cidade viva”, em que tradição e uso cotidiano se combinam.
Quais desafios sociais surgem com esse modelo urbano
A combinação de beleza urbana, segurança e forte identidade cultural atrai moradores com maior poder aquisitivo, elevando preços de terrenos e imóveis.
O custo de manter a arquitetura tradicional, com madeira de qualidade e mão de obra especializada, torna-se um peso para famílias de renda mais baixa.
Para reduzir a exclusão, especialistas em urbanismo sugerem reservar áreas e programas habitacionais acessíveis, criar linhas de crédito para manutenção de casas antigas e destinar parte da receita do turismo à melhoria de serviços públicos.
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