A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado

27.01.2026

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A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 26.01.2026 20:22 comentários
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A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado

A experiência de uma pequena cidade de colonização alemã em Santa Catarina tem chamado atenção por transformar a arquitetura tradicional em política pública

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A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado
A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado - Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

A experiência de uma pequena cidade de colonização alemã em Santa Catarina tem chamado atenção por transformar a arquitetura tradicional em política pública, com regras claras para preservar fachadas, telhados e escala urbana

Como a arquitetura tradicional alemã virou política pública

Em vez de permitir que cada construção siga preferências individuais, o município de Pomerode definiu normas para manter uma paisagem inspirada na tradição germânica.

Casas enxaimel, telhados de barro e ruas organizadas tornaram-se cartão-postal e motor do turismo regional.

Essas regras foram construídas ao longo de décadas, com participação de moradores, empresários e poder público.

A beleza urbana passou a ser tratada como bem coletivo, associado à autoestima local, à economia e à permanência das memórias da imigração.

A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado
A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado – Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

Quais são as principais características da arquitetura tradicional alemã

Predominam construções baixas, com madeira aparente, telhas cerâmicas e proporções voltadas à escala humana.

O poder público restringe fachadas em formato de “caixa” e limita a altura dos prédios, evitando paredões que bloqueiam paisagens e luz natural.

Casas do século XIX convivem com edificações recentes que seguem princípios semelhantes.

Em muitos projetos, o enxaimel é usado em sistemas pré-fabricados, o que permite continuar produzindo o estilo hoje, sem restringi-lo apenas ao patrimônio antigo.

Como funcionam as regras de urbanismo e os incentivos locais

As normas urbanísticas incluem diretrizes para fachadas, calçadas, muros, coberturas, anúncios e cores.

Muros altos e portões totalmente fechados são desestimulados, buscando maior integração visual entre casas e rua, o que reforça a sensação de segurança e pertencimento.

Para estimular a adesão, a prefeitura combina fiscalização, benefícios fiscais e apoio técnico, criando também um pequeno ecossistema econômico ligado à estética germânica.

Entre as principais medidas, destacam-se:

  • Isenção ou redução de impostos municipais para imóveis que seguem o estilo definido em lei;
  • Programas de apoio à manutenção de estruturas de madeira e fachadas tradicionais;
  • Orientação técnica gratuita para projetos novos e reformas antes do início das obras.
A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado
A cidade brasileira onde todas as casas precisam ter o mesmo tipo de telhado – Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

Como o turismo e a identidade cultural são fortalecidos

O cenário típico de cidade alemã atrai visitantes interessados em caminhar, fotografar e observar detalhes construtivos.

Pequenos museus, igrejas históricas, trilhas curtas e festas temáticas ligadas à cultura germânica reforçam essa atmosfera cotidiana e acolhedora.

Em muitos bairros, o idioma alemão ainda está presente na fala diária e em escolas, que oferecem ensino da língua.

Essa continuidade cultural ajuda a evitar a sensação de cenário artificial e sustenta a imagem de “cidade viva”, em que tradição e uso cotidiano se combinam.

Quais desafios sociais surgem com esse modelo urbano

A combinação de beleza urbana, segurança e forte identidade cultural atrai moradores com maior poder aquisitivo, elevando preços de terrenos e imóveis.

O custo de manter a arquitetura tradicional, com madeira de qualidade e mão de obra especializada, torna-se um peso para famílias de renda mais baixa.

Para reduzir a exclusão, especialistas em urbanismo sugerem reservar áreas e programas habitacionais acessíveis, criar linhas de crédito para manutenção de casas antigas e destinar parte da receita do turismo à melhoria de serviços públicos.

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