Via ‘parlamentarismo de mimimi’, PT tentou blindar Lulinha no grito e perdeu
Davi Alcolumbre rasgaria regimento interno se aderisse ao esperneio da base governista e anulasse quebra de sigilo de Lulinha
É um comportamento típico do PT no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado. Quando o partido perde uma votação que considera importante, a sigla recorre ao esperneio, à gritaria, ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Papa. É o parlamentarismo de “mimimi”. Não gostou da decisão, chora, apela e reza para ganhar no tapetão.
Esse tipo de postura é até esperada de partidos pequenos, que não têm força para ganhar votações expressivas no Congresso. Por isso, quando siglas como PSOL, Rede, Novo optam pelo parlamentarismo de “mimimi” há uma certa complacência no parlamento. Quanto o PT o faz, beira a má-fé.
Quando o partido decidiu recorrer a Davi Alcolumbre (União-AP) para tentar anular as quebras de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, o partido sabia que o procedimento de aprovação por votação simbólica era recorrente e usual no Congresso.
O partido também sabia que em qualquer votação simbólica, vale o quórum no início da sessão e não na hora da votação. O partido sabia que os 14 votos citados como contrários à quebra de sigilo não seriam suficientes para anular uma decisão de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
Mesmo assim, o partido apelou para o parlamentarismo de “mimimi”.
Ao manter a decisão do colegiado, Davi Alcolumbre não fez malabarismo algum. Fez apenas o que se espera de um presidente do Congresso: que ele siga rigorosamente o regimento interno da Casa que comanda. Simples assim.
“Este não é um caso de flagrante desrespeito ao Regimento Interno ou à Constituição Federal. Não há, aqui, situação que justifique a excepcional atuação desta Presidência para anular a deliberação da CPMI”, disse Alcolumbre no comunicado lido nesta terça-feira.
“As decisões tomadas por CPIs devem ser respeitadas por todos, sempre que tenham sido adotadas de forma regular e com respeito à regra da colegialidade”, também declarou Alcolumbre.
Mas não sejamos bobos. O presidente do Senado, ao tomar essa decisão, resguardou uma prerrogativa dele: tratorar com votações simbólicas quando ele precisar. E ele tem plena consciência disso. Derrubar a quebra de sigilo de Lulinha poderia abrir brecha para que Alcolumbre perdesse completamente o controle do Senado.
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