Por que a Venezuela não reagiu ao ataque?
Por que a Venezuela não reagiu à incursão americana? Veja os detalhes da operação que desarticulou a cadeia de comando e os radares em Caracas
A captura de Nicolás Maduro na madrugada de sábado levantou uma dúvida: como a Venezuela, que exibia sistemas de defesa aérea Buk e S-300, alardeados durante anos como escudos contra qualquer ataque externo, praticamente não reagiu à operação americana?
Os sistemas Buk e S-300 são lançadores de mísseis de defesa aérea de origem russa usadas para detectar e derrubar aviões, helicópteros e mísseis invasores.
Os dois são móveis, o Buk é de médio alcance, pensado para proteger áreas e tropas em deslocamento e o S-300 tem longo alcance e defende regiões estratégicas maiores, como capitais e bases militares, dependendo de radares, comunicações e energia para funcionar plenamente.
A resposta para essa inação está na forma como esses sistemas foram enfrentados, e não em sua simples ausência, segundo indica a Air & Space Forces Magazine e o portal Breaking Defense.
A operação dos Estados Unidos foi desenhada para neutralizar esses mísseis antes mesmo de entrarem em ação. Em vez de um ataque direto, houve uma sequência de ações para isolar, confundir e pressionar os sistemas de defesas.
O primeiro movimento foi a degradação da rede de informações que sustenta Buk e S-300. Esses sistemas dependem de radares, centros de comando, enlaces de dados e fornecimento estável de energia.
Ataques aéreos iniciais atingiram pontos de comando, pistas e instalações militares, reduzindo a capacidade de coordenação.
Ao mesmo tempo, ataques cibernéticos afetaram comunicações e infraestrutura elétrica, criando falhas que limitaram o funcionamento dos consoles e a troca de informações em tempo real.
Com essa rede fragmentada, as baterias antiaéreas passaram a operar de forma isolada, com visão parcial do espaço aéreo, aumentando o risco de disparos equivocados ou de rápida localização por aeronaves inimigas, o que leva os operadores a adotar uma postura mais hesitante e defensiva.
A estratégia americana também apostou na saturação seletiva. Mais de 150 aeronaves participaram da fase inicial da operação, pressionando áreas-chave e forçando as defesas a lidar com múltiplas ameaças ao mesmo tempo.
Em vez de atacar fisicamente todas as baterias da Venezuela (algumas foram de fato destruídas), o foco foi neutralizar aquelas que protegiam as rotas que seriam usadas pelos helicópteros e aviões de transporte das forças especiais.
O fator tempo completou o quadro. A ação foi curta, noturna e baseada na surpresa. Sistemas concebidos para resistir a campanhas prolongadas tiveram minutos, não horas, para reagir. Quando os helicópteros pousaram, a cadeia defensiva já estava quebrada.
Assim, os sistemas Buk e S-300 não falharam por estarem desligados ou sem manutenção. Eles foram contornados por isolamento, degradação eletrônica e pressão aérea concentrada, mostrando que a chave da operação esteve na integração de meios, não em um único ataque espetacular.
Por fim, o cálculo político pode ter pesado. Uma resposta venezuelana mais forte poderia escalar rapidamente para um confronto aberto com Estados Unidos, algo que setores do alto comando venezuelano sabem ser impossível de sustentar.
O silêncio das defesas, nesse contexto, não foi um erro isolado, mas o retrato de um sistema fragilizado antes mesmo do primeiro helicóptero pousar em solo venezuelano.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
Marian
05.01.2026 09:48Não foi por falta de dinheiro, só a China lhe emprestou mais de US$60 bi não é? O que fizeram com o dinheiro?
Marcia
05.01.2026 09:29Que Maduro e sua 1ª guerrilheira sofram tanto quanto os presos políticos que injustamente foram levados para masmorras venezuelanas.
Marcia
05.01.2026 09:27Com todas as críticas que se possam fazer ao Trump, ainda assim penso na alegria do povo venezuelano de recuperar sua liberdade.