O xerife está nu
Os fãs de Moraes enfrentam dificuldades para defender o ídolo e, ironicamente, apelam de forma desesperada às tão criticadas fake news
Alexandre de Moraes (foto) se tornou um ídolo para parte do Brasil — e vilão para outra — ao enfrentar Jair Bolsonaro de forma implacável, até encarcerá-lo, sob o pretexto de proteger a democracia brasileira e o Supremo Tribunal Federal (STF), que seria vítima de ataques e fake news.
Os fãs do ministro, que se estabeleceu como xerife do STF, enfrentam dificuldades, agora, para defender o ídolo, enredado na trama do Banco Master, e, ironicamente, apelam de forma desesperada para as tão criticadas fake news, bagunçando as informações sobre a investigação que sugere que o banqueiro Daniel Vorcaro tinha linha direta com Moraes.
Essa relação entre um juiz da mais alta Corte do Brasil e um banqueiro enrolado já estava sugerida desde o fim do ano passado, quando veio a público o contrato de 129 milhões de reais entre Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Troca de mensagens
O milionário contrato levantou suspeitas sobre a real intenção de Vorcaro ao pagar tanto pelos serviços de Viviane, e as desconfianças só cresceram com o passar do tempo, com informações de que o ministro do STF e o banqueiro se frequentavam, reforçadas por indícios da investigação.
O ápice do caso — até agora — foi a indicação de que Vorcaro e Moraes trocaram mensagens no dia em que o banqueiro foi preso, no fim do ano passado. O ministro negou em nota, mas não convenceu, porque inferiu que a revelação das mensagens tinha sido feita de uma forma que o jornal O Globo contestou: a fonte não foi a CPMI do INSS, mas a investigação da PF.
Especula-se, agora, que Vorcaro envolveu metade de Brasília em seus negócios para que fosse mais difícil derrubá-lo. É inegável que o banqueiro buscou proteção, mas ainda está por se provar que tenha conseguido — e de quem —, já que seu banco acabou liquidado e ele, preso.
“Desprezo para com o Poder Judiciário”
A forma sorrateira com que o banqueiro e o ministro teriam trocado mensagens, com o subterfúgio de visualização única, que não deixa registros, é um dos indícios, contudo, de que eles imaginavam fazer algo de errado.
E tudo piora quando se considera o rigor com que Moraes tratou Bolsonaro e todos os suspeitos e condenados pela trama golpista.
É impossível ignorar o fato de que Moraes considerou que a inexistência de mensagens no celular de “Débora do Batom” em determinado período indicava de que textos foram apagados, o que configuraria “desprezo para com o Poder Judiciário e a ordem pública“.
Nus
Parte das críticas a Moraes hoje se deve ao rancor que ele despertou nos bolsonaristas, mas, por piores que possam ser as intenções de seus adversários, que tentam desgastar o algoz de Bolsonaro para aliviar a barra do ex-presidente, elas não servem de salvo contudo para o ministro.
O posto de xerife parece ter deixado Moraes confortável demais, a ponto de simplesmente não ter mais defesa, senão mentiras. Dias Toffoli já tinha se colocado na mesma posição, ao relatar o caso do Master da forma mais heterodoxa e destrambelhada da história do STF.
Em um país um pouco mais civilizado, nenhum dos dois teria mais condição de ocupar os cargos em que estão, pela mera suspeita de que podem ter atuado para beneficiar um banco enrolado, mas ainda estamos por ver por quanto tempo Brasília conseguirá fingir que os dois seguem vestidos.
Leia mais: A longa agenda de contatos de Vorcaro
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Clayton de Souza Pontes
07.03.2026 14:42Toffoli e Moraes receberam muita grana do Vorcaro e ambos não explicam satisfatoriamente esse grave fato. Poderiam deixar a toga, pra preservar a Corte, mas estão arrastando todos pra lama
Andre Luis dos Santos
07.03.2026 14:17Pois é, Borges. O problema é que o Brasil não é um país minimamente civilizado. O Brasil é uma falsa republica. O Brasil não tem rei ou rainha, mas e ainda como um reinado ou império, onde a classe politica, judiciária e alto funcionalismo publico são uma casta superior, um bando de VAGABUNDOS, que fazem o que bem entendem, enquanto o cidadão medio paga a conta.