O senador Piu-piu e o negacionismo tabajara do golpe

07.03.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

O senador Piu-piu e o negacionismo tabajara do golpe

avatar
Alexandre Borges
5 minutos de leitura 16.12.2024 12:16 comentários
Análise

O senador Piu-piu e o negacionismo tabajara do golpe

Mourão pode continuar a posar como o Piu-Piu que finge não ver o Frajola, mas a democracia brasileira não pode ser tão ingênua

avatar
Alexandre Borges
5 minutos de leitura 16.12.2024 12:16 comentários 0
O senador Piu-piu e o negacionismo tabajara do golpe
Imagem: IA por Alexandre Borges

O senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão, que rebatizou Eduardo Bolsonaro com o apelido “Bananinha”, agora encarna o papel de Piu-Piu, o passarinho amarelo dos clássicos do Looney Tunes que nunca vê ou não quer ver o perigo à sua volta.

Ao chamar o esquema golpista de 2022 de “conspiração tabajara”, Mourão tenta minimizar um ataque real e muito bem documentado à democracia brasileira. As evidências apresentadas pela Polícia Federal e pela decisão do ministro Alexandre de Moraes no âmbito da Operação Contragolpe desmentem categoricamente essa narrativa.

A prisão preventiva de Walter Braga Netto, decretada por Moraes, foi fundamentada em provas contundentes que indicam sua participação central na organização do plano golpista chamado “Punhal Verde e Amarelo”.

Esse plano, que incluía ações para impedir a posse de Lula e Alckmin e até mesmo atentados contra a vida de autoridades como o próprio ministro Moraes, foi estruturado com divisão de tarefas e financiamento ilícito, envolvendo figuras de alta patente e civis.

Documentos apreendidos e depoimentos confirmam que Braga Netto participou ativamente de reuniões para coordenar o golpe, utilizando sua influência entre militares e civis para organizar o esquema. Ele financiou operações clandestinas com dinheiro entregue em sacolas de vinho e buscou informações sobre a delação premiada de Mauro Cid para interferir nas investigações e proteger aliados.

A Polícia Federal identificou que o general fazia parte de um núcleo de comando que articulava operações de desinformação, mobilizações antidemocráticas em quartéis e ações de inteligência para monitorar opositores.

A Constituição Federal, em seu artigo 142, determina que as Forças Armadas podem, em última instância e em condições muito bem definidas e raras, garantir a ordem democrática, mas as ações coordenadas por Braga Netto não têm nada de legais ou constitucionais.

Além disso, sua conduta se enquadra, segundo as investigações e os autos, nos crimes previstos no Código Penal nos artigos 359-L e 359-M, que tipificam a tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito e impedir a posse de autoridades eleitas.

Mourão e a banalização do golpe

Mourão, ao desdenhar das evidências e tratar o caso como algo amador, ignora o histórico golpista do Brasil.

Desde a proclamação da república até as recentes ameaças à ordem democrática, o país já enfrentou diversas rupturas institucionais que começaram com planos considerados “improváveis”. O desprezo de Mourão pela gravidade dos fatos reforça a ideia perigosa de que golpes que falham não têm impacto real. Mas a tentativa de 2022, mesmo sem sucesso, demonstrou fragilidades institucionais e deixou um roteiro para futuros ataques.

Seu reconhecimento do papel de Freire Gomes, então comandante do Exército, em recusar os apelos golpistas, apenas reforça a seriedade da trama e o risco que ela representava. Mourão tenta desacreditar a gravidade da prisão de Braga Netto, mas as provas indicam o contrário: um esquema articulado, financiado e com objetivos claros de subverter a democracia brasileira.

Por que a prisão de Braga Netto foi necessária?

A decisão de Alexandre de Moraes não foi apenas uma reação pontual, mas uma medida preventiva para garantir a ordem pública, a instrução criminal e a aplicação da lei penal. Deixar Braga Netto em liberdade seria abrir margem para a destruição de provas, constranger testemunhas e para a continuidade de uma associação criminosa que, ainda segundo as investigações e evidências, ameaçou a integridade do Estado Democrático de Direito.

As provas apresentadas pela PF detalham um esquema que não pode ser reduzido a meras conversas de idosos desocupados no Whatsapp. A trama incluiu monitoramento ilegal de opositores, disseminação de fake news e planejamento de ações violentas contra instituições. Essas ações, mesmo sem terem resultado em um golpe consumado, representam crimes graves que devem ser tratados com o rigor da lei.

Mourão pode continuar a posar como o Piu-piu que finge não ver o Frajola, mas a democracia brasileira não pode ser tão ingênua.

Golpes, bem-sucedidos ou não, são ataques diretos ao Estado de Direito e devem ser combatidos com firmeza. As provas contra Braga Netto não deixam margem para dúvidas: sua prisão foi uma medida necessária para proteger o país de novas investidas autoritárias.

O que está em jogo aqui não é apenas a punição de indivíduos, mas a preservação de um sistema democrático que já enfrentou múltiplas ameaças e que, mais uma vez, precisa demonstrar sua resiliência.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

“Dizer que as informações são inverídicas não basta”, diz Zema

Visualizar notícia
2

“Não adianta simplesmente querer tirar o PT do poder”, diz Leite

Visualizar notícia
3

Presidente da CPMI do INSS rebate Moraes e nega vazamento de dados

Visualizar notícia
4

“A que ponto o Brasil chegou: o pensador chama-se Zé Dirceu”

Visualizar notícia
5

Leonardo Barreto na Crusoé: Ninguém segura a mão de ninguém

Visualizar notícia
6

Fim do centro fundado por padre Júlio é investigado pelo MP

Visualizar notícia
7

Crusoé: Presidente do Irã pede desculpas a países vizinhos

Visualizar notícia
8

Trump: “Irã será duramente atingido” hoje

Visualizar notícia
9

Roberto Reis na Crusoé: O freio de mão de Lula

Visualizar notícia
10

Prerrô reclama de vazamento de dados de Vorcaro e Lulinha

Visualizar notícia
1

"Não adianta simplesmente querer tirar o PT do poder", diz Leite

Visualizar notícia
2

Defesa confirma morte de "Sicário" de Vorcaro em hospital

Visualizar notícia
3

Prerrô reclama de vazamento de dados de Vorcaro e Lulinha

Visualizar notícia
4

O xerife está nu

Visualizar notícia
5

Datafolha: Lula e Flávio tecnicamente empatados no 2º turno

Visualizar notícia
6

Vorcaro inspira lista de filmes

Visualizar notícia
7

A proposta de Ratinho Jr. para a segurança pública

Visualizar notícia
8

"Dizer que as informações são inverídicas não basta", diz Zema

Visualizar notícia
9

Fernando Holiday apresenta notícia-crime contra Moraes à PGR

Visualizar notícia
10

Guerra no Irã derruba agenda de Lula em Washington

Visualizar notícia
1

Flávio alcança Lula e Lindbergh sentiu

Visualizar notícia
2

IML libera corpo de “Sicário” para seus familiares

Visualizar notícia
3

Deputado bolsonarista quer acabar com a EBC

Visualizar notícia
4

Moraes está cada vez mais enrolado

Visualizar notícia
5

Líder da oposição no Senado cobra investigação sobre Moraes

Visualizar notícia
6

Vereadora aciona MP contra apropriação do PT em placas de rua

Visualizar notícia
7

Fernando Holiday apresenta notícia-crime contra Moraes à PGR

Visualizar notícia
8

Deltan: se Moraes não fosse ministro, ele teria sido alvo de prisão preventiva

Visualizar notícia
9

Delcy Rodríguez enaltece “coalizão” de Trump contra cartéis de drogas

Visualizar notícia
10

Defesa de Vorcaro reforça pedido a perícia de celulares

Visualizar notícia

< Notícia Anterior

Hidratação diária: Quanto de água você realmente precisa?

16.12.2024 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Golpes de aluguel de férias: Como identificar e fugir de fraudes

16.12.2024 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Alexandre Borges

Analista Político em O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.