“O Poderoso Chefão” explica o encontro de Trump e Lula
Reunião em Kuala Lumpur marcou o início formal das negociações entre Brasil e Estados Unidos e mostrou mais uma vez o método Trump
Lula deixou Kuala Lumpur dizendo “se depender dele e de mim, teremos um acordo”. A frase foi o reconhecimento pragmático de que a pior crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos em mais de dois séculos começou a ser superada.
O encontro com Donald Trump foi cordial e foi um sucesso no que realmente importa, a promessa formal de início das negociações.
Vale lembrar o tamanho da crise. A tensão começou com insultos mútuos e a imposição das mais tarifas a um parceiro comercial americano. Trump impôs 50% sobre produtos brasileiros e sancionou autoridades, inclusive Alexandre de Moraes, sob o pretexto de “censura e perseguição política”.
Lula chamou Trump de “imperador do mundo”, disse que o Brasil “não é uma república das bananas” e denunciou as “sanções arbitrárias e os ataques à soberania”. O ambiente chegou ao ponto de ser descrito por diplomatas como o mais tenso em 200 anos.
É nesse contexto que a reunião na Malásia pode ser explicada pela cena de abertura de O Poderoso Chefão. O filme de Francis Ford Coppola é um clássico não só do cinema, mas também uma das mais profundas investigações já feitas sobre como o poder realmente funciona.
Na cena inicial, o agente funerário Bonasera procura Don Corleone para pedir justiça pela filha abusada.
Ele oferece dinheiro, tenta tratar o chefe da máfia como um fornecedor a ser contratado, um erro básico de entendimento de como fazer negócios com o Don.
Antes de qualquer favor, é preciso mostrar respeito. E reconhecer a assimetria da relação.
Em seu livro “The Art of the Deal (1987)”, Trump escreveu: “Miro alto e depois continuo pressionando até conseguir o que quero.” É o que fez milhares de vezes, publicamente, a ainda explicou no próprio livro.
Lula, com o instinto de sindicalista que passou anos mediando as relações entre patrões e empregados, pode ter entendido o recado.
Guardou provisoriamente o discurso ideológico radical, baixou o tom e pediu a retomada das negociações. Foi o gesto de um politico experiente que sabe quando deve fazer o gesto simbólico e quando deve beijar o anel para avançar.
Isso não muda o fato de que Lula está cercado por radicais. Gente próxima dele como Janja e Guilherme Boulos empurram o governo para uma guinada à esquerda e tudo pode acontecer. Inclusive nada.
Trump também cumpriu seu papel tradicional. Em outro trecho de seu livro, escreveu: “Negociar é uma arte. O segredo é nunca parecer desesperado. Mostre força, mesmo quando precisa de um favor.”
O resultado é um início promissor, ainda que incerto. O Itamaraty já trabalha em discussões técnicas com representantes do governo americano. Há um canal aberto, e em política isso vale mais do que qualquer discurso.
O Poderoso Chefão não é apenas uma história sobre crime e família. É uma parábola sobre hierarquia, influência e respeito. Um retrato de como o poder opera.
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Comentários (5)
Otreblig50
28.10.2025 18:04Tenho a pesada impressão de que TODOS os que se manifestaram acima, são bozotários, ou mentecaptos, ou leram e não entenderam nem o que o jornalista e o próprio Trump escreveram. Esqueçam tudo e LEIAM DE NOVO O POST. Ah, e TAMBÉM NÃO DEVEM TER ASSISTIDO ao Poderoso Chefão, certamente que não !!!!!
Luiz Filho
28.10.2025 03:18Quando vejo que Janja está no meio da articulação politica, lembro de Dulce Cardoso, socióloga como ela, e a distância que separa as duas. São a dama e a vagabunda , o filme de Walt Disney
Sandra
27.10.2025 16:03Pois é, ele esqueceu que deveria manter a guarda baixa, aí resolveu falar das sanções ao STF. Essas sanções não tem tanto a ver com com o Bolsonaro, vem mais da sua rede social e a rede X
Ana Amaral
27.10.2025 09:42Lula é o que é : um pobre coitado que não se dá conta de sua insignificância. Como somos um país de pobres coitados , ele conseguiu o espaço e busca se manter impondo a maior parte da população a miséria.
Alexandre Ferreira
27.10.2025 08:41"(Lula)...Guardou provisoriamente o discurso ideológico radical, baixou o tom e pediu a retomada das negociações. Foi o gesto de um politico experiente que sabe quando deve fazer o gesto simbólico e quando deve beijar o anel para avançar." Como é que é, xará? Em que país isso aconteceu?