O antissemitismo e a ideologia de Greta Thunberg

06.10.2026

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O Antagonista
O antissemitismo e a ideologia de Greta Thunberg
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Catarina Rochamonte
6 minutos de leitura 07.12.2023 12:27 comentários
Análise

O antissemitismo e a ideologia de Greta Thunberg

Greta Thunberg publicou no jornal The Guardian, na terça-feira, 5, um texto no qual reitera a parcialidade, radicalidade e hipocrisia da sua militância...

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Catarina Rochamonte
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O antissemitismo e a ideologia de Greta Thunberg
Reprodução/X

Greta Thunberg publicou no jornal The Guardian, na terça-feira, 5, um texto no qual reitera a parcialidade, radicalidade e hipocrisia da sua militância.

Como mostramos no artigo Ecoterrorismo: o mundo livre se desencanta com Greta Thunberg, a jovem ativista vem sofrendo duras críticas pela insistência em submeter a causa ambientalista aos seus caprichos ideológicos, dentre os quais vem se destacando o posicionamento anti-Israel que beira o antissemitismo escancarado.

Não satisfeita em postar foto segurando cartaz de “apoio a Gaza” com um polvo (símbolo antissemita) ao fundo e em dar palanque a uma defensora do Hamas em um evento climático, Greta achou uma boa ideia cantar “Krossa Sionismen” (esmague o sionismo) em uma manifestação pró-Palestina, em Estocolmo.

O escritor e comentarista político norte-americano, Ben Shapiro, conhecido pela sua incisiva retórica conservadora tem se mostrado cada vez mais impaciente com o ativismo de Thunberg: “Essa pseudo-criança lixo é uma destilação perfeita da geração de idiotas criada pela combinação tóxica de mídia tradicional, mídia social e wokismo”, escreveu Shapiro em seu perfil no X ao compartilhar o vídeo no qual Greta aparece cantando “O que nós vamos fazer? Vamos esmagar o sionismo”.

No artigo que assinou no The Guardian, junto a outros ativistas do Fridays for Future, Suécia, Greta Thunberg responde de uma maneira simples às críticas de que o movimento fundado por ela teria se radicalizado e se politizado: o movimento não mudou, sempre foi assim. “Ao contrário do que muitos afirmam, o Fridays for Future não ´se radicalizou´ nem ´se tornou político´. Sempre fomos políticos, porque sempre fomos um movimento pela justiça”, escreveu ela.

A sua noção de justiça, porém, é bastante problemática. É a noção de justiça dos ideólogos de extrema esquerda. Dentro dessa visão de mundo, escolhe-se um lado supostamente opressor, outro lado supostamente oprimido, instrumentaliza-se politicamente as reivindicações por vezes legítimas de um lado, demoniza-se as ações por vezes legítimas do outro e, com isso, relativiza-se o mal mais explícito para que a dicotomia opressor-oprimido prevaleça sobre a realidade dos fatos e sobrepuje a própria consciência moral.

É assim que aqueles que silenciaram por ocasião do massacre hediondo perpetrado pelo Hamas passam a posar de defensores da paz, da justiça e dos direitos humanos assim que começa a reação legítima do país que foi vítima de um massacre.

Na ótica não apenas de Greta Thunberg, mas de quase todo o espectro político mais à esquerda, os palestinos (e os muçulmanos de modo geral) podem tudo, pois são agora os novos representantes do polo oprimido da história.

A posição de Greta em relação ao conflito Israel-Hamas é, portanto, a mesma do Secretário-geral das Nações Unidas, Antônio Guterres, que provocou uma crise diplomática com Israel quando afirmou que o ataque do Hamas “não surgiu do nada, mas de 56 anos de ocupação”. Trata-se de uma retórica de justificação do bárbaro e cruel ato terrorista porque o lado que perpetrou o ataque é suposto como o lado oprimido. Isso fica claro no seguinte trecho do artigo assinado por Greta:

“Os horríveis assassinatos de civis israelenses perpetrados pelo Hamas não podem de forma alguma legitimar os atuais crimes de guerra de Israel. O genocídio não é legítima defesa, nem é de forma alguma uma resposta proporcional. Também não se pode ignorar que isto se enquadra no contexto mais amplo de os palestinos terem vivido sob uma opressão sufocante durante décadas, no que a Anistia Internacional definiu como um regime de apartheid.”

Embora conceda em chamar de “horríveis” os assassinatos de civis israelenses perpetrados pelo Hamas, Greta se apressa em afirmar que tais assassinatos (que ela não classifica como ação terrorista de um grupo terrorista) não legitimam o que ela chama de “crime de guerra de Israel”. Ou seja, entrar em um país, metralhar jovens em uma festa, assassinar e estuprar mães na frente de filhos, filhas na frente dos pais, sequestrar crianças, mulheres e idosos e cometer os atos mais abomináveis de crueldade como fez o Hamas não é crime de guerra, mas a resposta de Israel seria.

Não contente com esse odioso truque retórico, a ativista do clima prossegue afirmando que “o genocídio não é legítima defesa”, inserindo já o pressuposto falso de que Israel estaria cometendo genocídio.

A conclusão do parágrafo, por sua vez, é a justificação do ato terrorista que ela iniciou chamando de “horríveis assassinatos.” Para Greta, para Guterres, para os professores marxistas, para os estudantes sequelados por uma doutrinação contínua, as atrocidades do Hamas são justificáveis porque, afinal, “não se pode ignorar que isto se enquadra no contexto mais amplo de os palestinos terem vivido sob uma opressão sufocante durante décadas, no que a Anistia Internacional definiu como um regime de apartheid”.

Esqueçamos, pois, a jovem Greta. Não se trata aqui de uma postura individual, mas de mentalidade ideológica dominante no atual sistema educacional e no maistream midiático. Essa posição política, no que tem de essencial, não é nova. Trata-se da relativização do mal em função de um suposto bem ou de uma justificação do mal em nome da retratação de uma suposta injustiça histórica. Esse ressentimento aliado a um sentimento de vingança que se autoproclama justiça tem sido responsável por guerras e descalabros morais.

O que se quer apontar aqui não é, pois, que esse ou aquele indivíduo tenha algum grau de patologia por apoiar uma organização terrorista. Mais do que isso, é preciso apontar, parafraseando Freud, o mal estar da civilização que, sem saber lidar com seus próprios traumas, acaba encontrando no ativismo político e na aderência acrítica a determinados movimentos sociais um sentido para preencher as suas vidas espiritualmente debilitadas. O niilismo, aliado à ideologia, anestesia o sentimento moral e o bom senso. É preciso resgatar esses últimos.

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Catarina Rochamonte

Professora e escritora, com graduação, mestrado e doutorado em Filosofia, e pós-doutorado na área de Direito.

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