Elogiar o VAR brasileiro já é demais, Textor Elogiar o VAR brasileiro já é demais, Textor
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Elogiar o VAR brasileiro já é demais, Textor

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Rodolfo Borges
3 minutos de leitura 22.04.2024 19:25 comentários
Análise

Elogiar o VAR brasileiro já é demais, Textor

As acusações de manipulação do dono do Botafogo seguem frágeis e partem de uma expectativa de qualidade irreal — quase ingênua — sobre o futebol brasileiro

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Rodolfo Borges
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Elogiar o VAR brasileiro já é demais, Textor
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

John Textor (foto) compareceu ao Senado nesta segunda-feira, 23, para depor à CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas. O dono da SAF do Botafogo voltou a fazer as alegações sobre suas suspeitas de manipulação em jogos no futebol brasileiro e prometeu apresentar detalhes aos senadores em sessão secreta. As acusações do cartola seguem frágeis e, além de tudo, partem de uma expectativa de qualidade irreal — quase ingênua — sobre o futebol nacional.

Da mesma forma como já tinha feito em relação aos jogadores do São Paulo, o dono do Botafogo parte da premissa de que os árbitros brasileiros têm qualidade o bastante para só errar gravemente de forma deliberada. É preciso desconhecer o histórico do futebol brasileiro para chegar a essa conclusão.

Textor mencionou o que apontou como um erro de arbitragem de agosto de 2017 como a origem de seu incômodo com os árbitros e de suas suspeitas sobre manipulação no Campeonato Brasileiro. “O ângulo da câmera naquela situação particular revela que a parte inferior do jogador do Palmeiras estava à frente do jogador do Vasco”, descreveu o cartola.

O VAR

“Aquela linha claramente estava inclinada para a frente”, reclamou, assim como reclamaram milhões de brasileiros desde que o árbitro de vídeo foi adotado no Brasil. Se os erros são tão frequentes, como desconfiar que alguém em particular estaria sendo beneficiado ou prejudicado?

“Foi um momento em particular que me deixou muito perturbado, porque pareceu, para mim, o tipo de erro que o árbitro de VAR não pode cometer”, comentou o americano sobre outro lance, da fatídica partida em que o Botafogo abriu 3×0 em casa e viu o Palmeiras virar para 4×3.

De fato, os erros do VAR brasileiro são bisonhos, ultrajantes, enlouquecedores e frustrantes. E praticamente todas as torcidas têm dezenas de exemplos das vezes em que seus times foram prejudicados por decisões controversas do árbitro de vídeo.

Na audiência desta segunda, Textor disse não acreditar na incompetência dos árbitros brasileiros, porque eles “são muito bons”. Segundo o dono do Botafogo, o árbitro de campo de Botafogo 3×4 Palmeiras foi traído pelo árbitro de VAR naquela ocasião, e “eu não acredito que esse tipo de erro seja possível”.

Erros

Pois esse tipo de erro não apenas é possível como tem marcado a utilização do VAR no Brasil. Considerar, a princípio, que as falhas de arbitragem são intencionais é fazer um elogio que os juízes brasileiros não merecem — e não se pode dizer nem que a culpa é só deles, pois não foram profissionalizados, dividem suas carreiras em campo com outros ofícios.

As regras são claramente aplicadas de forma contraditória de partida para partida no Brasil, em praticamente todas as rodadas. Isso pode até apontar para alguma má intenção, mas, sem prova que reforce a suspeita — uma transação financeira, uma conversa gravada, etc —, a acusação não vale nada.

E não tem inteligência artificial, por mais avançada que pareça, que convença do contrário qualquer pessoa que tenha assistido a mais de dez partidas de futebol com alguma atenção.

Enquanto não apresentar algum elemento que de fato comprove suas alegações, o americano seguirá envergonhando a si mesmo e ao seu clube, e sob o risco de caluniar quem ele acusa (dizendo que não acusa) de manipular resultados.

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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