Crusoé: Europa se prepara para a guerra
Governos europeus alertam para o aumento da chance de uma guerra, se rearmam e preparam a população para nova realidade
A ideia de guerra voltou a entrar no vocabulário político europeu. No Reino Unido, o governo reconhece abertamente que está desenvolvendo rapidamente planos para preparar o país para um conflito de grande escala, algo que por décadas parecia restrito a livros de história.
A recente declaração do ministro das Forças Armadas britânicas, Alistar Carns, à Sky News reflete um diagnóstico compartilhado por militares e autoridades de segurança em várias capitais europeias.
Essas lideranças enxergam o ambiente cada vez mais hostil e imprevisível do que em qualquer outro momento desde o fim da Guerra Fria em 1991.
O ponto principal não está apenas no aumento de gastos militares ou no envio de tropas para o Leste Europeu. O que muda agora é o foco na sociedade civil.
Planos discutidos em Londres incluem proteção de infraestrutura, preparação para ataques cibernéticos e campanhas de desinformação e até a revisão de protocolos de emergência.
Autoridades britânicas avaliam que conflitos atuais, como o na Ucrânia, mostram como redes elétricas, comunicações e cadeias de suprimento se tornaram alvos prioritários, exigindo respostas que vão além dos quartéis.
O mesmo discurso ecoa no resto do continente. A The Economist descreve generais europeus alertando suas populações para a necessidade de encarar a possibilidade de guerra de forma menos abstrata.
Na Alemanha, chefes militares falam abertamente sobre falhas na prontidão das forças armadas. Na França, o debate sobre reservistas e mobilização voltou à agenda política. “Temos que estar prontos para aceitar a perda de nossos filhos”, disse em novembro o general Fabien Mandon.
Em países nórdicos e do Leste Europeu, campanhas de orientação à população já fazem parte da estratégia de defesa há anos e agora ganham mais atenção.
O guias de sobrevivência sueco chamado Se a crise ou a guerra chegar, por exemplo, foi atualizado para focar na autossuficiência civil por pelo menos uma semana.
O manual instrui a população a estocar itens práticos, como água, alimentos não perecíveis, rádio a pilha e dinheiro em espécie e a identificar abrigos antiaéreos, partindo do princípio de que, em um conflito moderno, o Estado priorizará a defesa das fronteiras e a infraestrutura crítica, deixando o cuidado doméstico imediato sob responsabilidade do cidadão para evitar o pânico e o colapso dos serviços sociais.
A OTAN reforça esse movimento ao afirmar, em relatórios recentes, que a fronteira entre guerra e paz se tornou nebulosa. Mark Rutte, chefe da organização, disse em dezembro que a Europa deve se preparar para um confronto com a Rússia “na mesma escala que nossos avós e bisavós enfrentaram”.
As ameaças híbridas, sabotagens e desinformação passaram a fazer parte do cotidiano de segurança europeu.
O rearmamento também ganhou prioridade. Para acelerar a produção e competir com a Rússia em 2026, a Europa implementou uma economia de guerra industrial baseada em três pilares…
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