Crusoé: A mentira de Lula às mulheres
Quando María Corina recebeu o Prêmio Nobel da Paz, o governo brasileiro simplesmente ignorou o prêmio
A retrospectiva do governo Lula para as mulheres é, na prática, a continuação de um roteiro já conhecido: promessas grandiosas, entregas mínimas e um esforço constante para manter as aparências.
No terceiro ano do seu terceiro mandato, a fatura chegou e expõe um saldo profundamente negativo.
Nada simboliza melhor essa distância entre discurso e realidade do que a nova vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a saída de Luís Roberto Barroso.
Lula teve mais uma oportunidade histórica para finalmente indicar uma mulher negra à Corte.
Desperdiçou novamente. Em seu lugar, nomeou Jorge Messias, repetindo a lógica de suas indicações anteriores.
No que deveria ser um dos principais compromissos de um governo que se diz de esquerda, o tema do aborto permanece intocado.
É como se não existisse. Enquanto o clima político se torna mais hostil às mulheres e propostas abertamente cruéis avançam, o governo prefere a inércia estratégica.
Não enfrenta sua base evangélica, não compra desgaste e não protege as brasileiras.
A pauta internacional segue a mesma lógica.
O governo assiste em silêncio à perseguição à maior opositora feminina da América Latina, María Corina Machado.
E quando ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz, o governo Lula simplesmente ignorou o prêmio.
É como se não tivesse acontecido. Lula continua priorizando conveniências diplomáticas, mesmo quando isso significa fechar os olhos para violações evidentes dos direitos das mulheres.
Enquanto isso, a mulher de maior visibilidade de seu governo continua sendo a primeira-dama, Janja, cuja exposição excessiva chega a ser embaraçosa.
Pior, às vezes parece tentar substituir a ausência de protagonismo feminino nas posições de poder.
A verdade é que Lula nem sequer utilizou seu terceiro mandato para preparar uma sucessora feminina, como fez com Dilma em 2010.
Aos 81 anos em 2026, a mesma idade que Joe Biden tinha em 2024 quando perdeu para Trump, ele desperdiça a chance de construir uma herdeira política.
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