Bilionários criam suas próprias cidades
A ideia de bilionários criarem seus próprios territórios pode estar deixando de ser um capricho. Mas será que dará certo?
A ideia de bilionários criarem seus próprios territórios, pode deixar de ser um capricho isolado para se tornar algo um pouco maior e visível no seleto mundo da tecnologia.
Em vez de apenas erguer mansões ou complexos privados, alguns estão assumindo o controle de regiões ou de cidades inteiras, incorporadas ou não, e passando a definir regras, gerir serviços e moldar o espaço urbano de acordo com seus interesses.
Um artigo da Fast Company destaca esse movimento como algo que pode redefinir o alcance do poder econômico individual e seu impacto sobre o espaço público.
Elon Musk seria, até agora, o exemplo mais evidente. A recente incorporação de Starbase, no Texas, contou com participação majoritária de funcionários da SpaceX na votação, resultando na eleição de um executivo da própria empresa como prefeito da cidade desde 20 de maio desse ano.
A reação contrária de grupos ambientais e da tribo Carrizo/Comecrudo expôs o conflito entre interesses corporativos e direitos comunitários históricos.
Em paralelo, Musk mantém Snailbrook, cidade não incorporada próxima a Bastrop, que combina ou deverá combinar, infraestrutura industrial, habitação e escola privada, um modelo verticalizado de urbanismo empresarial.
Mark Cuban, que vendeu um dos primeiros serviços de streaming de áudio do mundo por 5,7 bilhões de dólares em 1999, foi por um caminho diferente. Ao adquirir Mustang, no Texas, se limitou à posse e à manutenção da área, sem apresentar projetos de reestruturação.
A ausência de grandes planos ou mesmo de um panorama de investimentos mais claros indica que nem todos os investimentos territoriais desse tipo têm finalidade imediata, podendo funcionar como ativos à espera de uma valorização estratégica.
O problemático projeto coletivo California Forever, que tem Michael Moritz, Laurene Jobs (viuva de Steve Jobs) e outros nomes do mercado financeiro por trás, mostra as dificuldades de transformar grandes aquisições fundiárias em cidades funcionais.
O projeto dos bilionários enfrentara forte oposição local devido a preocupações ambientais, agrícolas e com a segurança da Base Aérea de Travis, a falta de infraestrutura e a incerteza sobre o governo da futura cidade, e o alto custo do desenvolvimento.
Ainda assim, a previsão de meio milhão de empregos e bilhões em receita tributária sustenta seu apelo político e econômico futurista.
Larry Ellison e Mark Zuckerberg representam um modelo diferente. Ellison, dono de quase toda a ilha havaiana de Lanai, concentra hospedagem, comércio e controle imobiliário, configurando um microcosmo de alta renda com barreiras naturais e econômicas à entrada.
Zuckerberg, em Kauai, investe em infraestrutura autossuficiente, incluindo bunker subterrâneo, reforçando a lógica de refúgios projetados para autonomia total.
Peter Thiel, cofundador do PayPal e da Palantir, e Bill Gates apostaram em conceitos de cidades do futuro, mas com caminhos diferentemente decepcionantes.
Enquanto o ambicioso projeto (foto) Praxis, de Thiel, permanece sem avanços concretos, o Belmont, de Gates, perdeu fôlego e está praticamente não se houve mais falar do assunto.
Os dois casos ilustram a dificuldade, mesmo para bilionários, de concretizar visões urbanas radicais fora da estrutura convencional apoiada por um governo.
A criação de núcleos urbanos privados, maiores ou menores, com regras e serviços internos, pode ampliar desigualdades territoriais e institucionais, sobretudo quando alguns desses empreendimentos passam a exercer funções tradicionalmente públicas, como educação, infraestrutura e ordenamento.
Essas iniciativas, ainda que não configurem exatamente uma tendência, sugere um futuro em que jurisdições privadas coexistam com as oficiais, (algo que acontecia até 2023 na região da Disney World, na Flórida), reconfigurando a relação entre riqueza extrema e o espaço coletivo.
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