‘Ativistas climáticas’ vandalizam quadro e bom senso em Madrid

21.02.2026

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O Antagonista

‘Ativistas climáticas’ vandalizam quadro e bom senso em Madrid

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Gustavo Nogy
4 minutos de leitura 14.10.2025 15:24 comentários
Análise

‘Ativistas climáticas’ vandalizam quadro e bom senso em Madrid

Coletivo Futuro Vegetal reivindica o ‘protesto’ em museu da Espanha contra as homenagens a Cristóvão Colombo

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Gustavo Nogy
4 minutos de leitura 14.10.2025 15:24 comentários 1
‘Ativistas climáticas’ vandalizam quadro e bom senso em Madrid
Restauradores trabalham na obra 'Primeira Homenagem a Cristóvão Colombo', danificada por ativistas climáticos - Museo Naval/Reprodução

No último domingo, 12, um grupo de “ativistas climáticas” invadiu o Museu Naval de Madrid com o mesmo entusiasmo com que os exploradores que elas detestam teriam invadido Índias, Áfricas e Américas e, num gesto dramático e dramaticamente inútil, as heroínas jogaram tinta vermelha no quadro ‘Primer Homenaje a Colón’, em português, ‘Primeira homenagem a Colombo’, de José Garnelo y Alda, de 1892.

A data para o embaraçoso gesto não foi escolhida ao acaso: consta que num dia 12 de outubro, no ano de 1492, Cristóvão Colombo chegou à América. E, se a Espanha comemora feriado nacional em homenagem ao intrépido navegador, as manifestantes também acharam por bem prestar suas homenagens.

Elas fazem parte do coletivo Futuro Vegetal, que corajosamente assumiu ou ato, como se fosse uma espécie de ISIS da pintura figurativa. Conscientes, garantiram que a tinta é feita de material biodegradável. Eloquentes, publicaram nas mídias sociais (possíveis em virtude de tecnologias que, tenho certeza, nunca poluíram sequer um cupinzeiro) seu manifesto:

A celebração de 12 de outubro é a celebração de séculos de opressão, exploração e genocídio das populações originárias de Abya Yala. Chega de enaltecer a colonização e os genocídios, históricos e atuais!” – bradaram em postagem.

Os povos originários exigem o reconhecimento das injustiças históricas e a promoção de reparações para suas comunidades. Com esta ação, nos unimos às suas reivindicações” – e, presumo, assinaram firma em cartório.

Ainda não se sabe se os povos originários têm ou deveriam ter acesso à internet para que pudessem tomar conhecimento da compaixão alheia sobre seus problemas ou fazer as reivindicações que, de acordo com as ativistas climáticas, lhes seria interessante fazer. Espero que se dê um jeito de avisá-los por meios não-poluentes e com materiais biodegradáveis.

Também seria importante avisar às meninas superpoderosas que a preocupação com o clima… – aliás: estamos falando do clima, dos povos originários, das cartas do tarô, da arte colonial, da causa palestina ou da querela sobre o livre-arbítrio?

Enfim, assumindo a premissa de que estamos falando sobre qualquer coisa que sirva ao ativismo que se serve de suas causas, quaisquer que elas sejam, seria importante lembrar que o passado não desacontece (a não ser no STF), que registros históricos cumprem sua função justamente quando registram a história, que descobertas e invenções não são, em si mesmas, boas ou más, seja ela a pólvora, seja ela a América.

Qualquer um pode – mais do que pode: deve – conhecer o que há de grande e de pequeno, de terrível e de sublime, de dramático e de cômico na fundação dos países, no deslocamento dos povos, na dor dos perdedores, na espada dos conquistadores. Conhecer é, precisamente, reconhecer.

Tomar distância, ampliar o foco, ajustar a perspectiva. Sobretudo: refletir. Coisa bem diferente de jogar tintas em telas sem o aval do britânico Francis Bacon.

Mas, para que possamos conhecer, reconhecer e refletir, precisamos ter bem preservados os objetos, os artefatos, os quadros, as esculturas, os documentos, as fotografias, as assinaturas, os rastros, as pegadas, as digitais, os testemunhos do que um dia nos fizeram e do que um dia fizemos. Para isso, até mesmo a horrenda estátua do Borba Gato serve.

Sem isso, com o apagamento da história, viveremos num eterno e achatado presente, e estaremos condenados a repeti-la. É o que querem? Que não tenhamos as referências e, quem sabe, tentemos de novo do mesmíssimo jeito?

As ciclotímicas ativistas não taparam a camada de ozônio, não reflorestaram a Mata Atlântica, não limparam os oceanos, não arrumaram a cama, não comoveram o porteiro do Museu Naval de Madrid: apenas deram um pouco mais de trabalho aos restauradores e um pouco mais de dados aos algoritmos.

Parabenizo pela performance, que também é uma forma de arte; que tal completar o incidente com um happening, em que o público joga tinta vermelha biodegradável – e historicamente informada – nas próprias artistas? Eu pagaria para ver.

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Gustavo Nogy

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Comentários (1)

Claudemir Silvestre

14.10.2025 16:18

PETISTAS em Madrid ???!!! Ja chegaram lá ??!!


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