A nova regra da Academia para o Oscar 2026
O cinema é seu resultado e seu processo, sua arte e sua tecnologia
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas decidiu que o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa não influenciará na indicação de um filme à premiação do Oscar. Quem quiser usar, use. A nova regra é reposta a uma polêmica recente, envolvendo o uso de IA em filmes como Duna: Parte 2 e O Brutalista, por exemplo.
O texto objetivo é o seguinte: “Em relação à Inteligência Artificial Generativa e outras ferramentas digitais utilizadas na produção do filme, as ferramentas não contribuem nem prejudicam as chances de obter uma indicação. A Academia e cada órgão julgarão a conquista levando em consideração o grau em que um ser humano esteve no cerne da autoria criativa ao escolher o filme a ser premiado”.
Controvérsias sobre direitos autorais à parte, concordo com a medida. O cinema é, entre as artes, a que mais depende (e a que mais se aproveita) da evolução e da variedade técnica e tecnológica. A tecnologia não é um componente externo à arte cinematográfica; é algo que lhe é intrínseco, que lhe dá origem, que afeta diretamente as possibilidades estéticas e narrativas à disposição. É sua gramática e seu vocabulário, a despeito do “assunto”.
Assim como nas artes visuais, que se alforriaram da mimese e ganharam autonomia estético-ontológica, filmes podem ser feitos com muitos ou poucos recursos, com interpretações intimistas ou computação gráfica, com atores profissionais ou amadores. As emoções não dependem dos atores, exatamente, nem de uma certa concepção previamente aceita – de muito ou pouco barulho, de carros voando ou perfeitamente estacionados, de uma filosofia estética – mas sim da colisão, ou do encontro, de todos esses elementos no filme, e do filme com seu espectador.
Espectador que pode se emocionar com Marlon Brando interpretando o desvairado coronel Kurtz, em Apocalypse Now, ou com o vai-e-vem de uma sacolinha plástica em Beleza Americana. Talvez as sequências dos filmes da série Transformers não sejam capazes de inspirar (já viram Bumblebee?), mas quem não entende que os filmes de Hayao Miyazaki são mais inspiradores que muitos filmes “de arte” já feitos, não está entendendo direito.
Em suma: ninguém é dono da linguagem cinematográfica, nem pode travar sua evolução.
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Comentários (1)
Fabio B
25.04.2025 17:58O Oscar virou um desfile de mediocridade mascarado de inclusão. As regras ridículas dos últimos anos, como o tal “checklist da diversidade”, mataram qualquer mérito artístico real. A última edição foi talvez a pior da história, cheia de filmes esquecíveis empurrados por agenda. E essa nova regra sobre IA só mostra o quanto a Academia está perdida. Prepare-se, pois a próxima edição será ainda pior.