Roberto Campos, sobre a Petrossauro: "A falsa identificação entre interesse da empresa e interesse nacional"

o antagonista

Assine Entre

24.06.2026

logo-crusoe-new
Crusoé
  • Últimas Notícias
  • Brasil
  • Mundo
  • Economia
  • Lado oa!
    • Carros
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Imóveis
    • Tecnologia
    • Turismo
    • Variedades
  • Colunistas
  • Newsletter
Pesquisar Menu
o antagonista X
  • Olá

    Fazer login Assine agora
  • Home

    Editorias

    Newsletter Colunistas Últimas Notícias Brasil Mundo Economia Esportes Crusoe
  • Mídias

    Vídeos Podcasts
  • Anuncie conosco Quem Somos Política de privacidade Termos de uso Política de cookies Política de Compliance Perguntas Frequentes

E siga O Antagonista nas redes

Menu Menu Menu
O Antagonista

Roberto Campos, sobre a Petrossauro: “A falsa identificação entre interesse da empresa e interesse nacional”

avatar
Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 23.05.2018 18:41 comentários
Brasil

Roberto Campos, sobre a Petrossauro: “A falsa identificação entre interesse da empresa e interesse nacional”

Já reproduzimos uma vez, em 2015, um artigo magnífico de Roberto Campos sobre a Petrobras, publicado originalmente em 1999. Neste momento, vale a pena reproduzi-lo de novo. Quase vinte anos depois, ele continua atual na sua essência. Com vocês, Roberto Campos...

avatar
Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 23.05.2018 18:41 comentários 0
  • Whastapp
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Já reproduzimos uma vez, em 2015, um artigo magnífico de Roberto Campos sobre a Petrobras, publicado originalmente em 1999.

Neste momento, vale a pena reproduzi-lo de novo. Quase vinte anos depois, ele continua atual na sua essência.

Com vocês, Roberto Campos:

“Quando for escrita a história econômica do Brasil nos últimos 50 anos, várias coisas estranhas acontecerão. A política de autonomia tecnológica em informática, dos anos 70 e 80, aparecerá como uma solene estupidez, pois significou uma taxação da inteligência e uma subvenção à burrice dos nacionalistas e à safadeza de empresários cartoriais. Campanhas econômico-ideológicas como a do ‘o petróleo é nosso’ deixarão de ser descritas como uma marcha de patriotas esclarecidos, para ser vistas como uma procissão de fetichistas anti-higiênicos, capazes de transformar um líquido fedorento num ungüento sagrado. Foi uma ‘passeata da anti-razão’ que criou sérias deformações culturais, inclusive a propensão funesta às ‘reservas de mercado’.
A criação do monopólio estatal de 1953 foi um pecado contra a lógica econômica. Precisamente nesse momento, o ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, mendigava um empréstimo de US$ 300 milhões ao Eximbank, para cobertura de importações correntes (inclusive de petróleo). A ironia da situação era flagrante: de um lado, o país mendigava capitais de empréstimos que agravariam sua insolvência, de outro, pela proclamação do monopólio estatal, rejeitava capitais voluntários de risco. Ao invés de sócios complacentes(cuja fortuna dependeria do êxito do país), preferíamos credores implacáveis (que exigiriam pagamento, independentemente das crises internas). Esse absurdo ilogismo levou Eugene Black, presidente do Banco Mundial, a interromper financiamentos ao Brasil durante cerca de dez anos (com exceção do projeto hidrelétrico de Furnas, financiado em 1958). Houve outros subprodutos desfavoráveis.
Criou-se uma cultura de ‘reserva de mercado’, hostil ao capitalismo competitivo. Surgiu uma poderosa burguesia estatal que, protegida da crítica e imune à concorrência, acumulou privilégios abusivos em termos de salários e aposentadorias.
Criou-se uma falsa identificação entre interesse da empresa e interesse nacional, de sorte que a crítica de gestão e a busca de alternativas passaram a ser vistas como traição ou impatriotismo.
Vistos em retrospecto, os monopólios estatais de petróleo, que se expandiram no Terceiro Mundo nas décadas de 60 e 70, longe de representarem um ativo estratégico, tornaram-se um cacoete de países subdesenvolvidos na América Latina, África e Médio Oriente. Nenhum país rico ou estrategicamente importante, nem do Grupo dos 7 nem da OCDE, mantém hoje monopólios estatais, o que significa que os monopólios não são necessários nem para a riqueza nem para a segurança estratégica.
Essas considerações me vêm à mente ao perlustrar os últimos relatórios da Petrossauro. Ao contrário de suas congêneres terceiro-mundistas, que são vacas-leiteiras dos respectivos Tesouros, a Petrossauro sempre foi mesquinha no tratamento do acionista majoritário. Tradicionalmente, a remuneração média anual do Tesouro, sob a forma de dividendos líquidos, não chegou a 1% sobre o capital aplicado. Após a extinção de jure do monopólio, em 1995 (ele continua de facto), e em virtude da crítica de gestão e da pressão do Tesouro falido, os dividendos melhoraram um pouco, ma non troppo.
Muito mais generoso é o tratamento dado pela Petrossauro à Fundação Petros, que representa patrimônio privado dos funcionários.
A empresa é dessarte muito mais um instituto de previdência, que trabalha para os funcionários, do que uma indústria lucrativa, que trabalha para os acionistas. Aliás, é duvidoso que a Petrossauro seja uma empresa lucrativa. Lucro é o resultado gerado em condições competitivas. No caso de monopólios, é melhor falar em resultados. Quanto à Petrossauro, se fosse obrigada a pagar os variados tributos que pagam as multinacionais aos países hospedeiros — bônus de assinatura, royalties polpudos, participação na produção, Imposto de Renda e importação — teria que registrar prejuízos constantes, pois é alto seu custo de produção e baixa sua eficiência, quer medida em barris/dia por empregado, quer em venda anual por empregado.

Examinados os balanços de 1995 a 1998, verifica-se que o somatório dos dividendos ao Tesouro (pagos ou propostos) alcançam R$ 1,606 bilhão, enquanto que as doações à Petros atingiram 2,054 bilhões.
Considerando que o Tesouro representa 160 milhões de habitantes e vários milhões de contribuintes, enquanto que a burguesia do Estado da Petrossauro é inferior a 40 mil pessoas, verifica-se que é o contribuinte que está a serviço da estatal e não vice-versa.
Nota-se hoje no Governo uma perigosa tendência de postergação das privatizações seja na área de petróleo, seja na área financeira, seja na eletricidade. É um erro grave, que põe em dúvida nosso sentido de urgência na solução da crise e nossa percepção dos remédios necessários. A privatização não é uma opção acidental nem coisa postergável, como pensam políticos irrealistas e burocratas corporativistas.É uma imposição do realismo financeiro. Há duas tarefas de saneamento imprescindíveis. A primeira consiste em deter-se o ‘fluxo’ do endividamento (o objeto mínimo seria estabilizar-se a relacão endividamento/PIB). Essa é a tarefa a ser cumprida pelo ajuste ‘fiscal’.
A segunda consiste em reduzir-se o estoque da dívida. Esse o objetivo da reforma ‘patrimonial’, ou seja, a ‘privatização’.
Não se deve subestimar a contribuição potencial da reforma patrimonial para a solução de nosso impasse financeiro.
Tomemos um exemplo simplificado.
Apesar da crise das Bolsas, a venda do complexo Petrossauro-BR Distribuidora poderia gerar uma receita estimada em R$ 20 bilhões.
Considerando-se que a rolagem da dívida está custando ao Tesouro 40% ao ano, uma redução do estoque em R$ 20 bilhões, representaria uma economia a curto prazo de R$ 8 bilhões. Isso equivale a aproximadamente 20 anos dos dividendos pagos ao Tesouro pela Petrossauro na média do período 1995-1998 (a média anual foi de R$ 401,7 milhões).
Se aplicarmos o mesmo raciocínio à privatização de bancos estatais e empresas de eletricidade, verificaremos que a solvência brasileira dificilmente será restaurada pela simples reforma fiscal. Terá que ser complementada pela reforma patrimonial.
É perigosa complacência a atitude governamental de que a reforma fiscal é urgente e a reforma patrimonial postergável. É dessas complacências e meias medidas que se compõe nossa lamentável, repetitiva e humilhante crise existencial.”

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Crusoé: Lula desistiu dos Correios para devolução de celulares

Crusoé: Lula desistiu dos Correios para devolução de celulares
2

Gilmar defende condenação de Zambelli e envia garantias à Itália

Gilmar defende condenação de Zambelli e envia garantias à Itália
3

PSOL rebate cobrança de Erika Hilton por recursos

PSOL rebate cobrança de Erika Hilton por recursos
4

“Todo mundo tem direito à opinião”, diz Nikolas sobre Zema

“Todo mundo tem direito à opinião”, diz Nikolas sobre Zema
5

Mendonça reage a denúncia do Careca do INSS e cobra explicações da Papuda

Mendonça reage a denúncia do Careca do INSS e cobra explicações da Papuda
6

A leitura do advogado de Trump sobre a entrada do Brasil no caso Moraes

A leitura do advogado de Trump sobre a entrada do Brasil no caso Moraes
7

Erika Hilton cobra ‘fatura’ por fidelidade ao PSOL: ‘Privilégio branco e cis’

Erika Hilton cobra ‘fatura’ por fidelidade ao PSOL: ‘Privilégio branco e cis’
8

Girão critica Senado vazio em meio a escândalo do Banco Master

Girão critica Senado vazio em meio a escândalo do Banco Master
9

Esposa de Ramagem ganha ‘licença-prêmio’ da PGE-RR

Esposa de Ramagem ganha ‘licença-prêmio’ da PGE-RR
10

Por Que Cada Vez Mais Investidores Estão Explorando Novas Fontes de Renda Passiva em 2026

Por Que Cada Vez Mais Investidores Estão Explorando Novas Fontes de Renda Passiva em 2026
1

Gilmar defende condenação de Zambelli e envia garantias à Itália

Gilmar defende condenação de Zambelli e envia garantias à Itália
2

PSOL rebate cobrança de Erika Hilton por recursos

PSOL rebate cobrança de Erika Hilton por recursos
3

Esposa de Ramagem ganha 'licença-prêmio' da PGE-RR

Esposa de Ramagem ganha 'licença-prêmio' da PGE-RR
4

Justiça condena Gayer por associar PT a atentado contra Bolsonaro

Justiça condena Gayer por associar PT a atentado contra Bolsonaro
5

O país do dane-se

O país do dane-se
6

Deputada ironiza Lula após declaração sobre políticos honestos

Deputada ironiza Lula após declaração sobre políticos honestos
7

Crusoé: Lula desistiu dos Correios para devolução de celulares

Crusoé: Lula desistiu dos Correios para devolução de celulares
8

Girão critica Senado vazio em meio a escândalo do Banco Master

Girão critica Senado vazio em meio a escândalo do Banco Master
9

"Ganhamos cinco das seis" eleições, diz Dirceu

"Ganhamos cinco das seis" eleições, diz Dirceu
10

Paes culpa Castro pelo avanço do crime organizado no RJ

Paes culpa Castro pelo avanço do crime organizado no RJ
1

Valdemar indica que não vai processar Moro este ano

Valdemar indica que não vai processar Moro este ano
2

“Tinha 3 mulheres em casa e eu não podia ficar desarmado”, diz Bolsonaro à polícia

“Tinha 3 mulheres em casa e eu não podia ficar desarmado”, diz Bolsonaro à polícia
3

Moraes manda PGR opinar sobre eventual “falta grave” de Bolsonaro por ter arma

Moraes manda PGR opinar sobre eventual “falta grave” de Bolsonaro por ter arma
4

Alces: 8 curiosidades sobre os gigantes das florestas 

Alces: 8 curiosidades sobre os gigantes das florestas 
5

Momento exige do Judiciário “disposição sincera à autorreflexão”, diz Fachin

Momento exige do Judiciário “disposição sincera à autorreflexão”, diz Fachin
6

Rogério Marinho aciona TCU contra gastos de publicidade do governo Lula

Rogério Marinho aciona TCU contra gastos de publicidade do governo Lula
7

Renan Santos diz que Flávio Bolsonaro é “inviável” e aposta no desgaste do bolsonarismo

Renan Santos diz que Flávio Bolsonaro é “inviável” e aposta no desgaste do bolsonarismo
8

Ministro associa debate sobre tarifaço dos EUA a interesses eleitorais

Ministro associa debate sobre tarifaço dos EUA a interesses eleitorais
9

Damares Alves vai trabalhar em plano de governo de Flávio Bolsonaro

Damares Alves vai trabalhar em plano de governo de Flávio Bolsonaro
10

Criador da campanha pelo fim da escala 6×1 faz críticas à cúpula do Psol

Criador da campanha pelo fim da escala 6×1 faz críticas à cúpula do Psol

Tags relacionadas

Petrobras
< Notícia Anterior

URGENTE: JUSTIÇA DETERMINA USO DA POLÍCIA CONTRA CAMINHONEIROS

23.05.2018 00:00 4 minutos de leitura
URGENTE: JUSTIÇA DETERMINA USO DA POLÍCIA CONTRA CAMINHONEIROS
Próxima notícia >

Moro manda prender Delúbio

23.05.2018 00:00 4 minutos de leitura
Moro manda prender Delúbio
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Twitter Instagram Facebook

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Icone casa
Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de cookies.

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.

Assine
o antagonista
o antagonista

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41 Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Anuncie Conosco

Últimas Notícias Brasil Mundo

Economia Lado oa! Colunistas Newsletter

Icone do Twitter Icone do Youtube Icone do Whatsapp Icone do Instagram Icone do Facebook

Quer receber notícias do Antagonista em seu e-mail?

Assine nossa newsletter e receba as principais notícias em seu e-mail

Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem Somos Hora extra Política de privacidade Termos de uso Política de Cookies Política de compliance Princípios Editoriais Perguntas Frequentes Anuncie
O Antagonista , 2026, Todos os direitos reservados, 25.163.879/0001-13.
Background do rodapé