Polícia pede prisão preventiva de Milton Leite em investigação sobre PCC
Ex-presidente da Câmara foi indiciado por suspeita de participação em esquema de infiltração no transporte público de São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (foto) por suspeita de participação em esquema de infiltração do PCC no transporte público da capital.
Ao concluir o inquérito da Operação Vectura Corrupta, os investigadores pediram a conversão da prisão temporária do ex-vereador em preventiva e a mesma medida para outros 12 investigados.
O relatório policial aponta que 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo de São Paulo estariam sob controle direto ou influência indireta da facção.
Milton Leite é apontado como uma das figuras centrais do esquema e suspeito de ser o verdadeiro dono da Transwolff, empresa investigada por ligação com o PCC.
O esquema
Segundo a investigação, mensagens interceptadas indicariam que o ex-vereador participava de decisões estratégicas da companhia, cobrava pagamentos e mantinha contato com dirigentes.
A polícia também identificou articulações com órgãos públicos em benefício de empresas ligadas à organização criminosa.
A investigação aponta que o esquema envolvia agentes públicos, empresários e advogados. Entre os indiciados estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande.
Os investigadores também identificaram operações financeiras envolvendo empresas fornecedoras.
Uma delas foi a aquisição da distribuidora de combustíveis FANAL por R$ 40 milhões. Segundo a polícia, a estrutura teria sido usada para movimentar recursos e lavar dinheiro de atividades criminosas.
Leia também: Milton Leite é citado em áudio e depoimentos
Ex-vereador nega acusações
Milton Leite está preso desde 18 de setembro.
Inicialmente detido em Mogi das Cruzes, foi transferido para o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos após denúncias de que teria recebido regalias na cadeia.
Cinco servidores foram afastados durante a apuração das suspeitas.
No relatório final, a Polícia Civil justificou o pedido de prisão preventiva pela possibilidade de ocultação e destruição de provas, além do poder econômico e da influência política do ex-vereador.
Em depoimento, Leite negou participação em empresas de transporte e ligação com integrantes do PCC. Ao se entregar à polícia, disse:
“Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito.”
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