MP do Paraguai indicia Peña e pede prisão preventiva
Ex-presidente paraguaio é investigado por suspeita de favorecimento ao Ueno Bank, que entrou em colapso nesta semana
O Ministério Público do Paraguai acusou neste sábado, 7, o ex-presidente Santiago Peña (foto) por suspeita de envolvimento no escândalo do Ueno Bank e pediu sua prisão preventiva. A investigação apura possíveis crimes de lesão de confiança e administração em proveito próprio.
Como mostramos, Peña foi destituído na sexta-feira, após perder o apoio de seu partido em meio à crise bancária e a uma onda de protestos.
A procuradora Nancy Salomón anunciou a apresentação da acusação em entrevista coletiva.
O Ministério Público também pediu a prisão preventiva e o bloqueio de bens do ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo, investigado pelos mesmos crimes.
A apuração envolve suspeitas de favorecimento ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. Peña é acusado de interferir em órgãos públicos e de não garantir a fiscalização adequada da instituição.
O banco administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, inclusive da Previdência paraguaia.
A queda de Peña
A crise começou na terça-feira, quando o Banco Central interveio no Ueno por problemas de solvência. O colapso afetou cerca de 2,9 milhões de contas em um país de aproximadamente 7 milhões de habitantes. Entre os atingidos estão aposentados, empresas e a própria Conmebol.
Peña foi detido em sua residência na sexta-feira, menos de uma hora depois de o Senado aprovar seu impeachment por 44 votos favoráveis e uma ausência.
Após protestos nas proximidades do imóvel, ele foi transferido para uma unidade militar em Assunção. Manifestantes exigiam que o ex-presidente fosse levado a uma prisão comum.
O vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país e prometeu compensar os clientes prejudicados pelo colapso bancário.
O Banco Central informou neste sábado que quase 1,2 milhão de clientes já receberam de volta seus depósitos. A devolução deverá continuar na próxima semana.
Alliana iniciou o mandato com mudanças no gabinete e cobrou rapidez na resposta à crise.
“Não quero ninguém hesitante à frente desta missão. Quero resultados”, afirmou na sexta-feira.
O novo presidente deverá permanecer no cargo até agosto de 2028.
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