Cerca de 28 mil patinhos de borracha perdidos no oceano em 1992 viraram a maior ferramenta da ciência para mapear os oceanos
O que parecia apenas mais um episódio de poluição marítima acabou se transformando em uma oportunidade extraordinária para a ciência
Em 1992, um acidente envolvendo 12 contêineres lançou 28.800 patinhos amarelos, tartarugas, castores e sapos de borracha no Oceano Pacífico.
O que parecia apenas mais um episódio de poluição marítima acabou se transformando em uma oportunidade extraordinária para a ciência: espalhados por diferentes regiões do planeta, os brinquedos ajudaram pesquisadores a compreender como as correntes oceânicas transportam objetos por milhares de quilômetros.
Como 28.800 brinquedos foram parar no meio do oceano?
A carga pertencia à empresa americana The First Years e estava sendo transportada de uma fábrica chinesa para os Estados Unidos quando os contêineres caíram no mar. Como os brinquedos haviam sido fabricados para flutuar na água, permaneceram na superfície e começaram uma longa jornada.
Os primeiros exemplares apareceram no Alasca. Posteriormente, outros foram encontrados em praias da América do Sul, Indonésia, Escócia e diferentes regiões do mundo.

Como os patinhos de borracha ajudaram cientistas a mapear os oceanos?
O oceanógrafo americano Curtis Ebbesmeyer percebeu que os brinquedos poderiam funcionar como indicadores naturais das correntes marítimas. Ele passou a reunir informações sobre datas e locais em que os objetos eram encontrados, contando com a colaboração de voluntários.
Enquanto isso, o cientista James Ingraham utilizou modelos computacionais para simular os movimentos das correntes oceânicas e compreender os possíveis trajetos percorridos pela carga.
Essa estratégia permitiu estudar o fenômeno conhecido como flotsametria, dedicado à análise de objetos que flutuam e são transportados pelas águas.
En 1992, 28.800 patitos de goma cayeron al mar. La ciencia aún sigue dándoles caza https://t.co/k4tVW909Gk
— Xataka Ciencia (@xatakaciencia) November 5, 2026
Quais descobertas surgiram com o rastreamento dos patinhos de borracha?
O acompanhamento dos patinhos revelou informações importantes sobre a circulação das águas e a dispersão de resíduos plásticos. Entre as principais descobertas estão:
O que os 28.800 patinhos revelaram sobre os oceanos?
O acidente de 1992 transformou brinquedos à deriva em pistas valiosas para entender o comportamento das correntes marítimas.
1. Concentração de lixo no Pacífico
Pouco menos da metade dos brinquedos teria sido transportada para a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, uma enorme região de concentração de resíduos flutuantes.
2. Viagens de milhares de quilômetros
Alguns exemplares percorreram dezenas de milhares de quilômetros antes de chegar a praias distantes, demonstrando a força e o alcance das correntes oceânicas.
3. O formato influencia o deslocamento
As características físicas dos objetos também interferem no transporte marítimo. Formato e comportamento na água podem modificar a maneira como ondas e correntes movimentam cada material.
A Grande Mancha de Lixo do Pacífico ocupa aproximadamente 1,6 milhão de quilômetros quadrados, uma área comparável à da Região Centro-Oeste brasileira.
Qual foi a viagem mais impressionante registrada?
Um dos casos mais curiosos envolveu o chamado Pato 1417. O brinquedo foi encontrado inicialmente por uma família russa na península de Rybachy, no Ártico, que escreveu um número para identificá-lo.
Um ano e dois meses depois, o mesmo exemplar apareceu nas águas de Alberta, no Canadá. O episódio demonstrou como um objeto aparentemente insignificante poderia percorrer distâncias surpreendentes carregado pelas correntes marítimas.
O que aconteceu com os patinhos de borracha depois de décadas?
Os brinquedos continuaram sendo encontrados durante mais de duas décadas, despertando o interesse de pesquisadores, ambientalistas e colecionadores. Embora tenham deixado de aparecer regularmente nas praias há alguns anos, seu legado científico permanece.
A história também foi registrada nos livros Flotsametrics and the Floating World, de Curtis Ebbesmeyer, e Moby-Duck, de Donovan Hohn. Um acidente de transporte acabou oferecendo aos cientistas uma oportunidade rara de observar, em escala global, o funcionamento dos oceanos.
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