A luz ultravioleta fez salamandras venenosas brilharem em verde e revelou uma capacidade escondida na pele
Pesquisa identificou compostos fluorescentes nas glândulas e secreções de anfíbios europeus, mas ainda investiga a função biológica do fenômeno.
A salamandra-de-fogo europeia (Salamandra salamandra), conhecida pela pele preta e amarela e por suas secreções tóxicas, também apresenta um brilho verde-azulado sob luz ultravioleta. Pesquisadores identificaram biofluorescência nas glândulas da pele e nas secreções, que conservam essa propriedade por mais de 24 horas. A utilidade biológica do fenômeno ainda é desconhecida.
Por que a luz ultravioleta faz a salamandra brilhar?
A biofluorescência ocorre quando determinadas moléculas absorvem radiação de uma faixa de comprimento de onda e reemitem parte dessa energia como luz visível. Na salamandra-de-fogo, o resultado aparece em tons de verde, azul e turquesa, sobretudo no ventre e nas laterais do corpo.
O processo não é bioluminescência, como a dos vaga-lumes: depende de iluminação externa. A luz natural não evidencia esse padrão, e os pontos surgem com maior nitidez durante a iluminação ultravioleta. O estudo publicado em maio de 2026 na Royal Society Open Science documentou essa característica em uma espécie investigada há décadas.

Onde os pesquisadores encontraram a fluorescência?
A equipe internacional combinou observações dos animais sob luz ultravioleta com análises de tecidos. O brilho revelou uma distribuição mais ampla do que aquela visível na superfície, incluindo material examinado ao microscópio em espécimes preservados:
- No ventre, especialmente nas áreas amareladas da pele.
- Nas laterais, formando pontos associados às saídas glandulares.
- Nas glândulas que produzem as secreções de defesa.
- Em componentes do sangue analisados pelos pesquisadores.
O que muda entre o brilho da pele e das secreções?
As diferentes observações mostram onde o fenômeno aparece e quais perguntas permanecem abertas. As moléculas responsáveis ainda não foram completamente identificadas. Alguns indivíduos apresentam poucos pontos na pele, mesmo quando suas secreções são fluorescentes.
As secreções continuam brilhando depois de 24 horas?
Elas mantêm a capacidade de fluorescer por mais de 24 horas depois de liberadas sobre uma superfície, conforme os testes. Isso não significa que permaneçam iluminadas espontaneamente durante todo esse período: o brilho observado exige luz capaz de excitar as substâncias fluorescentes.
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As secreções têm uma função defensiva conhecida, relacionada à toxicidade da espécie. Entretanto, encontrar fluorescência nesse material não demonstra que o brilho aumente sua eficácia contra predadores. As duas propriedades precisam ser investigadas separadamente. A duração observada em laboratório tampouco define quanto tempo o material mantém a mesma resposta em uma floresta.
Para que serviria esse brilho no ambiente natural?
A função ecológica permanece uma hipótese. Em comunicado do Instituto Max Planck de Ecologia Química, os pesquisadores apontam possibilidades que dependem de novos testes de comportamento e percepção visual. Nem todos os animais percebem as mesmas cores:
- Facilitar o reconhecimento entre salamandras em ambientes escuros.
- Participar de sinais usados durante o cortejo reprodutivo.
- Reforçar o aviso visual de toxicidade a predadores.
- Contribuir para interações ainda não compreendidas entre espécies.
A fluorescência revela uma nova dimensão da biologia desses anfíbios
Os cientistas encontraram compostos fluorescentes tanto na pele quanto em estruturas internas, sugerindo possível circulação pelo organismo. A identificação química das substâncias poderá esclarecer como esse sistema funciona, mas as substâncias presentes em diferentes tecidos podem não ser idênticas.
O resultado amplia o conhecimento sobre uma espécie europeia bastante estudada. Para determinar se o brilho realmente influencia comunicação, reprodução ou defesa, ainda será necessário observar como as salamandras e outros animais respondem a ele em condições naturais.
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