Morador troca 18 lâmpadas de casa por modelos de LED e a conta de luz cai apenas 9%, eletricista identifica os aparelhos que continuam gastando energia
Iluminação responde por cerca de 20% do consumo doméstico, enquanto chuveiro elétrico e geladeira somam 55%, segundo dados da Aneel e da Light
20% do consumo de energia de uma casa vem da iluminação, segundo dados da Aneel e da distribuidora Light reunidos pela Câmara dos Deputados. Esse número ajuda a explicar por que trocar 18 lâmpadas por modelos de lâmpada de LED pode baixar a conta de luz em apenas 9%. A maior parte do gasto fica com o chuveiro elétrico, a geladeira e outros aparelhos que não entram na troca.
Por que trocar lâmpadas por LED reduz pouco a conta de luz?
A troca reduz pouco porque a iluminação é só uma parte da fatura. Pela divisão publicada no guia de uso racional de energia elétrica da Câmara dos Deputados, as lâmpadas respondem por cerca de 20% do consumo doméstico. Geladeira e freezer somam 30%, e o chuveiro, 25%. Mesmo cortando boa parte do gasto com luz, o efeito fica preso a essa fatia.
A economia da tecnologia existe. O modelo de LED entrega a mesma claridade com potência menor, porque perde menos energia em forma de calor. Quem troca incandescentes antigas sente mais diferença do que quem já usava fluorescentes compactas, que o próprio guia da Câmara descreve como até 85% mais econômicas que as incandescentes.

Pesa também o tempo de uso de cada aparelho. Uma lâmpada fica acesa algumas horas à noite, enquanto a geladeira trabalha 24 horas e o chuveiro puxa muita potência em poucos minutos. Por isso, uma queda de 9% depois da troca completa não indica defeito: mostra que o consumo de energia da casa está concentrado em outros pontos.
Chuveiro e geladeira concentram mais da metade do consumo
Juntos, chuveiro e geladeira respondem por cerca de 55% do consumo residencial, na divisão da Aneel e da Light citada pela Câmara. O chuveiro elétrico tem potência alta, e cada minuto a mais de banho aparece direto no medidor. A geladeira fica ligada o tempo todo e trabalha mais quando a vedação falha ou a porta fica aberta.
O banho é o exemplo mais claro desse peso. Segundo a Aneel, citada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), um banho quente de uma hora consome de 4,5 a 6 kWh. Um hábito diário de 60 minutos chega a cerca de 157,5 kWh por mês. Máquinas de lavar e ferro elétrico vêm depois, com cerca de 5% cada.
Posição verão e banho curto aliviam o chuveiro elétrico
A posição verão é a medida mais simples para o chuveiro elétrico: na posição inverno, o consumo é 30% maior, segundo o guia da Câmara. O material recomenda ainda fechar a torneira enquanto se ensaboa, manter limpos os furos de saída da água e evitar banho quente no horário de pico, das 17h às 22h.
A resistência também merece atenção. Reaproveitar uma resistência queimada aumenta o consumo e pode ser perigoso, alerta o mesmo guia. A troca da peça e qualquer mexida na fiação do chuveiro devem ser feitas por um eletricista habilitado, que também pode conferir se os cabos e o disjuntor aguentam a potência do aparelho.
Geladeira antiga e porta aberta pesam no consumo de energia
A geladeira gasta mais quando trabalha em más condições. O guia da Câmara orienta deixar ao menos 15 cm livres nas laterais, em cima e no fundo, instalar o aparelho longe do sol e do fogão e manter a borracha de vedação em bom estado. Também desaconselha guardar comida quente, forrar prateleiras com vidro ou plástico e pendurar roupas atrás do aparelho.
Na compra de um eletrodoméstico novo, a orientação é preferir modelos com selo Procel e etiqueta do Inmetro, que indicam os mais eficientes de cada categoria. Há ainda o gasto de TVs, roteadores e carregadores que continuam ligados na tomada, tema que O Antagonista já detalhou.
Os aparelhos que gastam energia mesmo quando estão desligados➔
Eficiência energética começa pela leitura da conta de luz
A eficiência energética de uma casa depende menos de uma troca isolada e mais do conjunto de hábitos dos moradores. A fatura traz o histórico de consumo em kWh dos últimos meses, e comparar os períodos ajuda a ver se o aumento veio com o frio, com banhos mais longos ou com um aparelho novo. Quando o salto não tem explicação, a distribuidora pode ser chamada para vistoriar o medidor.
Trocar para lâmpada de LED continua sendo uma medida útil, porque reduz o gasto da iluminação. Sozinha, porém, ela não mexe no peso do chuveiro elétrico e da geladeira, onde está a maior parte do consumo. Que tal pegar a última conta de luz e pensar no seu caso: qual aparelho da sua casa fica ligado mais tempo do que deveria?
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