O nome de um cachorro egípcio voltou a ser lido depois de 3.500 anos escondido numa pintura funerária
Pesquisadora identificou o nome Duaty em hieróglifos quase apagados da tumba TT21, revelando uma possível ligação com Anúbis e as crenças funerárias egípcias
Uma inscrição quase invisível numa tumba egípcia revelou o nome de um cachorro representado há aproximadamente 3.500 anos. A pesquisadora Chelsea Kaufman utilizou técnicas digitais para recuperar hieróglifos apagados pelo tempo e identificou a palavra Duaty, traduzida como “Aquele do Submundo”. O cachorro Duaty, da tumba TT21, acrescenta uma informação inédita ao conhecimento sobre animais domésticos no Egito antigo e sua possível relação com crenças funerárias.
Como o nome do cachorro Duaty permaneceu escondido durante 3.500 anos?
A inscrição está na tumba TT21, localizada na necrópole de Sheikh Abd el-Qurna, próxima à atual Luxor. O monumento pertenceu a User, escriba e administrador que serviu ao faraó Tutmés I durante a XVIII Dinastia, no período conhecido como Império Novo.
A pintura mostra User sentado diante de oferendas, com um cachorro de coleira acomodado sob sua cadeira. Embora o animal estivesse claramente representado, os hieróglifos próximos à cabeça apresentavam pigmentação tão enfraquecida que seu nome passou despercebido em documentações anteriores.
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Como a tecnologia conseguiu revelar os hieróglifos apagados da pintura?
Chelsea Kaufman examinou fotografias da decoração funerária e percebeu traços que poderiam formar uma inscrição. Para investigá-los, utilizou o programa ImageJ com o recurso DStretch, desenvolvido para destacar diferenças de coloração em imagens de superfícies arqueológicas.
O processamento tornou os pigmentos mais visíveis, permitindo distinguir sinais anteriormente difíceis de reconhecer. A identificação envolveu etapas complementares:
- Exame de fotografias da pintura original
- Localização de vestígios de pigmento próximos à cabeça do cachorro
- Aplicação de filtros digitais para realçar as cores preservadas
- Comparação dos sinais com formas conhecidas da escrita hieroglífica
- Interpretação linguística da sequência identificada como dwȝ.ty
Um vídeo do Smithsonian Channel aborda a importância dos cães no Egito antigo, incluindo suas funções na sociedade e nas práticas culturais. O conteúdo oferece contexto histórico para compreender a descoberta, embora não apresente especificamente a inscrição de Duaty.
Por que o nome Duaty pode ter ligação com o deus Anúbis?
O nome dwȝ.ty pode ser traduzido como “Aquele do Submundo”, expressão também associada a Anúbis, divindade egípcia relacionada à morte, à mumificação e à proteção funerária. Essa correspondência chamou a atenção da pesquisadora porque nenhum dos nomes caninos anteriormente catalogados apresentava a mesma designação.
Entretanto, a referência religiosa não comprova que User tenha escolhido o nome para homenagear diretamente Anúbis. Também não é possível determinar se o cachorro já havia morrido quando a pintura foi produzida. Essas interpretações permanecem hipóteses, embora sejam compatíveis com a importância simbólica dos cães na cultura egípcia.
O que o estudo científico revelou sobre os cães representados na tumba TT21?
Publicado em 30 de setembro de 2026, o estudo An 18th Dynasty Dog’s Name from Thebes, de Chelsea Kaufman, apresentou Duaty como o 97º nome canino documentado no Egito antigo. A pesquisa também destacou características visuais que diferenciam o animal de outras representações funerárias.
Duaty aparece com pelagem branca e marcas avermelhadas onduladas, semelhantes ao padrão das roupas de User. Outro detalhe é o hieróglifo determinativo em forma de cachorro sentado, uma representação excepcionalmente rara. Esses elementos sugerem uma escolha artística cuidadosa, embora seu significado exato permaneça desconhecido.
Quais eram os nomes dos outros cachorros representados na tumba TT21?
A tumba contém três cenas preservadas nas quais cachorros aparecem sentados sob a cadeira do proprietário. Dois nomes já haviam sido registrados pelo egiptólogo Norman de Garis Davies, enquanto o terceiro somente pôde ser identificado com o processamento digital recente.
| Nome | Significado | Características |
|---|---|---|
| Kenii | O Forte | Nome registrado em estudos anteriores |
| Maaty | O Confiável | Representado com coleira junto ao proprietário |
| Duaty | Aquele do Submundo | Pelagem diferenciada e hieróglifo raro |
O que a descoberta de Duaty revela sobre a relação entre egípcios e seus cachorros?
No Egito antigo, animais domésticos podiam ocupar posições importantes na vida familiar e na representação social de seus proprietários. A presença de cães identificados pelo nome em pinturas funerárias sugere que alguns eram lembrados individualmente, ultrapassando sua função prática de companhia, caça ou proteção.
As imagens presentes nas tumbas também tinham significado religioso, pois poderiam contribuir simbolicamente para a continuidade da existência após a morte. Ao preservar a aparência e o nome de Duaty, a pintura manteve sua identidade registrada durante aproximadamente três milênios e meio. A descoberta demonstra como tecnologias atuais podem recuperar informações sobre relações humanas e animais que pareciam definitivamente perdidas.
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