Casal compra um imóvel com corredor lateral de acesso à garagem e descobre, ao construir um novo portão, que a passagem aparece como servidão registrada em favor da casa vizinha
Entenda o que o vizinho pode exigir e como preservar o acesso
O corredor lateral levava à garagem do imóvel que o casal havia comprado. Ao instalar um novo portão, os proprietários descobriram que o trajeto também era objeto de uma servidão de passagem registrada em favor da casa vizinha. A obra passou a depender de uma conferência no Registro de Imóveis para saber por onde o vizinho pode passar e como o portão afetaria esse acesso.
O que a servidão de passagem garante ao imóvel vizinho?
O corredor continua pertencendo ao imóvel do casal. A servidão de passagem permite que o imóvel vizinho use a faixa prevista no registro, conforme a finalidade estabelecida no documento que criou o direito. O Código Civil chama de imóvel dominante aquele que se beneficia da passagem e de imóvel serviente aquele sobre o qual ela recai.
Como o direito beneficia o imóvel vizinho, ele continua valendo quando a casa do casal muda de dono. O alcance da passagem depende do título registrado. Se o documento prevê trânsito a pé, por exemplo, a existência de uma garagem no corredor não amplia, por si só, o direito do vizinho para a circulação de veículos.
O que a matrícula do imóvel revela sobre o corredor lateral?
A certidão atualizada da matrícula do imóvel permite localizar o registro da servidão e identificar a propriedade beneficiada. Se o texto da matrícula trouxer uma descrição resumida, o casal pode solicitar ao cartório uma cópia do título que deu origem ao registro. A conferência pode incluir os seguintes documentos e medidas.
O que verificar na servidão de passagem?
Confira os documentos e as medidas que ajudam a identificar os limites e as condições de uso do acesso.
Certidão da matrícula do imóvel
Certidão da matrícula do imóvel do casal, para localizar o ato que registrou a passagem.
Título que instituiu a servidão
Para verificar a finalidade do acesso e as condições de uso estabelecidas no documento.
Planta ou memorial descritivo
Quando houver, para identificar o início, o fim e a largura da faixa de passagem.
Medidas do corredor e do portão
Para comparar o espaço livre após a instalação com o trajeto registrado.
O casal pode instalar um portão no corredor?
O artigo 1.383 do Código Civil proíbe o proprietário de dificultar o exercício legítimo da servidão. A possibilidade de manter o portão depende do efeito da instalação sobre o acesso previsto. Um portão que só abre quando o casal está em casa, por exemplo, pode impedir o vizinho de usar a passagem com a autonomia que tinha antes da obra.
Entregar uma chave ou um controle pode resolver a abertura em alguns casos. Ainda assim, é preciso conferir se os pilares reduzem a largura livre, se a folha do portão bloqueia parte do trajeto e se há uma forma de abrir o portão eletrônico durante uma falta de energia. Esses detalhes determinam se o acesso à garagem pode continuar funcionando sem restringir o trânsito autorizado.
Em que condições é possível mudar o trajeto da passagem?
O artigo 1.384 permite ao dono do imóvel serviente deslocar a servidão às suas custas, desde que preserve integralmente as vantagens do imóvel beneficiado. Para avaliar se outro trajeto oferece condições equivalentes, a comparação precisa considerar o uso previsto no título. Alguns pontos ajudam a verificar o impacto da mudança.
- Distância percorrida e ligação entre a entrada da rua e o ponto de chegada no imóvel vizinho.
- Largura livre e espaço para manobra, quando o título permitir a passagem de veículos.
- Presença de degraus, inclinações ou fechaduras que dificultem o uso autorizado.
- Documentação necessária para formalizar a alteração do trajeto perante o Registro de Imóveis.

O que muda depois de conferir o trajeto registrado?
Se a passagem ficar fora do ponto em que o casal pretende instalar o portão, a planta e as medidas do corredor ajudam a confirmar que a obra preserva o acesso. Se o portão cruzar a faixa, o projeto precisa prever abertura independente e espaço livre compatível com o trânsito autorizado.
Quando a solução envolver a mudança do percurso, a descrição atualizada deve indicar por onde o vizinho entra e onde a passagem termina. Se o trajeto permanecer no mesmo lugar, a conferência final é física: com o portão instalado, o vizinho precisa conseguir percorrer a faixa registrada nas condições previstas para aquele acesso.
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