Cacatuas que tiveram liberdade para voar fizeram escolhas mais otimistas e abriram uma pergunta sobre o prazer de voar
Em um parque de aves, galahs quase sempre escolheram voar e mostraram respostas mais otimistas após dias consecutivos de voo.
Cacatuas galah que puderam voar livremente quase sempre escolheram fazê-lo em um experimento com 17 aves de uma espécie australiana. Depois de vários dias seguidos com oportunidade de voo, algumas respostas em testes de julgamento se tornaram mais otimistas. Os indícios são relevantes para o bem-estar animal, mas não comprovam diretamente uma sensação subjetiva de prazer.
Como as cacatuas puderam decidir se queriam voar?
Pesquisadores da Universidade de Utrecht acompanharam 17 galahs (Eolophus roseicapilla) no parque de aves Avifauna, nos Países Baixos. Durante demonstrações, as portas dos viveiros eram abertas e cada ave podia sair para voar ou permanecer no recinto, sem prêmio nem punição pela escolha.
O estudo publicado na revista Behaviour, em junho de 2026, comparou dias com e sem essa oportunidade, combinando escolhas espontâneas, observações comportamentais e testes cognitivos e hormonais.

Quais comportamentos apareceram com mais frequência?
O voo voluntário foi acompanhado por mudanças observáveis nas atividades das aves. Os pesquisadores registraram sinais comportamentais, sem tratá-los isoladamente como provas de felicidade:
- As galahs escolheram voar em quase todas as oportunidades.
- Passaram mais tempo procurando alimento depois de voar.
- Coçaram-se com maior frequência após as sessões.
- Levantaram a crista mais vezes nos períodos posteriores ao voo.
Como o teste identificou escolhas mais otimistas?
Onze aves aprenderam a relacionar cores de copos e fundos a recompensas diferentes: nozes, que preferiam, ou sementes de girassol. Diante de um fundo cinza, desconhecido, suas escolhas revelavam expectativas perante uma situação ambígua.
O efeito apareceu logo após um único dia de voo?
Não houve diferença significativa no teste cognitivo quando se comparou simplesmente um dia com voo a outro sem voo. O padrão apareceu com a duração das sequências: mais dias consecutivos voando se associaram a respostas otimistas, enquanto a falta prolongada dessa oportunidade acompanhou escolhas mais pessimistas.

A análise de metabólitos do hormônio corticosterona nas fezes também não mostrou diferenças significativas entre os dois tipos de dia. A Universidade de Utrecht observa que o esforço físico pode dificultar a interpretação desses indicadores.
O que impede concluir que todas as aves sentem prazer ao voar?
Preferência e mudanças no julgamento sustentam a hipótese de uma experiência positiva, mas não revelam diretamente o que o animal sente. Há limites importantes para interpretar os resultados:
- A amostra reuniu apenas 17 indivíduos da mesma espécie.
- Somente 11 galahs realizaram o teste de viés cognitivo.
- As aves viviam em cativeiro, não em liberdade natural.
- Outras experiências durante as saídas também podem influenciar respostas.
A oportunidade de voar merece atenção nas pesquisas sobre bem-estar
A escolha repetida de sair e a mudança gradual nos julgamentos sugerem que o voo livre pode representar uma atividade recompensadora para as galahs estudadas. Isso oferece dados para investigar necessidades comportamentais além da simples prevenção de sofrimento em aves mantidas sob cuidados humanos.
O próximo passo é avaliar outras espécies, condições e formas de oferecer voo com segurança. Os resultados ajudam a fundamentar perguntas sobre bem-estar, sem transformar um indício de estado emocional positivo na certeza de que toda ave voa por prazer.
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