Três tremores apareceram em apenas seis dias perto da divisa entre Paraíba e Rio Grande do Norte e nenhum deles foi sentido pela população
LabSis registrou três abalos de baixa magnitude entre 10 e 16 de outubro e mostrou como os sismógrafos identificam vibrações imperceptíveis
Três tremores de terra na região de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, foram registrados entre 10 e 16 de outubro de 2026, nas proximidades da divisa com a Paraíba. Os abalos apresentaram magnitudes preliminares de 1,7, 1,7 e 1,5, respectivamente. Apesar da sequência, o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN) não recebeu relatos de moradores que tenham sentido os movimentos, demonstrando como instrumentos especializados identificam vibrações praticamente imperceptíveis.
Como os três tremores perto da divisa entre Paraíba e Rio Grande do Norte foram identificados?
O primeiro evento ocorreu em 10 de outubro, às 12h45, no horário de Brasília, com magnitude preliminar de 1,7 mR. Quatro dias depois, em 14 de outubro, outro abalo de mesma magnitude foi registrado às 12h40. A sequência considerada terminou em 16 de outubro, às 12h52, com magnitude de 1,5 mR.
Todos foram localizados na região do município potiguar de Currais Novos, próximo à divisa estadual. Os registros foram divulgados pelo LabSis/UFRN, responsável por acompanhar a atividade sísmica do Nordeste. Os horários aparecem nos boletins também em UTC, três horas à frente do horário de Brasília, o que explica diferenças entre algumas notícias.
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Por que tremores de terra tão pequenos não são sentidos pela população?
A magnitude representa uma medida da energia liberada por um evento sísmico, calculada a partir das ondas registradas pelos instrumentos. Tremores abaixo de magnitude 2 costumam produzir vibrações muito discretas, que frequentemente passam despercebidas, especialmente quando ocorrem longe de construções ou em profundidades maiores.
A percepção de um abalo depende da combinação de cinco fatores:
- Magnitude do evento e quantidade de energia liberada;
- Profundidade do ponto onde ocorre a ruptura;
- Distância entre o epicentro e as pessoas;
- Características geológicas do terreno atravessado pelas ondas;
- Condições das construções e presença de ruídos ambientais.
Uma estação sismográfica consegue registrar movimentos menores do que aqueles necessários para provocar uma sensação perceptível. Por isso, a ausência de relatos não significa ausência de atividade sísmica.
Uma reportagem do UOL publicada em setembro de 2024 apresenta o trabalho do LabSis/UFRN em pesquisas sobre terremotos profundos na América do Sul. Embora trate de outra região e de eventos diferentes, o vídeo ajuda a compreender a importância do monitoramento instrumental.
Como os sismógrafos conseguem localizar tremores que ninguém percebe?
Os sismógrafos registram movimentos extremamente pequenos do solo. Quando ocorre uma ruptura nas rochas, parte da energia liberada se propaga em forma de ondas sísmicas, que atravessam o interior terrestre e chegam às estações de monitoramento em momentos diferentes.
Os pesquisadores analisam principalmente as ondas P, geralmente mais rápidas, e as ondas S, que chegam posteriormente. A diferença entre seus tempos de chegada ajuda a estimar a distância até o evento. Com registros de várias estações, é possível calcular a localização provável do epicentro, enquanto a amplitude e outras características das ondas auxiliam na determinação da magnitude.
O que o Laboratório Sismológico da UFRN informou sobre os três tremores?
No boletim oficial divulgado pelo LabSis/UFRN em 16 de outubro de 2026, a instituição confirmou o terceiro evento, de magnitude preliminar 1,5 mR, na região de Currais Novos. Comunicados anteriores já haviam registrado os abalos dos dias 10 e 14, ambos de magnitude 1,7 mR.
O laboratório ressaltou que os dados são preliminares e podem ser revisados posteriormente. A instituição mantém estações sismográficas em diferentes estados do Nordeste e acompanha tanto fenômenos naturais quanto vibrações associadas a atividades humanas, como detonações. Por isso, o monitoramento também ajuda a investigar a origem dos sinais registrados.

Quais números mostram a intensidade dos tremores perto de Currais Novos?
Os três eventos apresentaram magnitudes inferiores a 2,0 mR, na escala regional utilizada pelo laboratório. Embora a diferença entre 1,5 e 1,7 pareça pequena, a magnitude é expressa numa escala logarítmica: um aumento de uma unidade corresponde a aproximadamente 32 vezes mais energia liberada, considerando magnitudes comparáveis.
Os registros ocorreram em horários próximos, sempre no início da tarde pelo horário de Brasília. Essa coincidência temporal é uma característica que merece análise, mas não demonstra, por si só, uma origem comum ou a participação de atividades humanas.
Registros do LabSis/UFRN — outubro de 2026
| Data | Hora de Brasília | Magnitude preliminar |
| 10/10 | 12h45 | 1,7 mR |
| 14/10 | 12h40 | 1,7 mR |
| 16/10 | 12h52 | 1,5 mR |
Os três boletins não registraram relatos de percepção pela população. Magnitudes e localizações permanecem sujeitas a revisão.
Por que três tremores pequenos não significam necessariamente um terremoto maior?
O Nordeste brasileiro apresenta atividade sísmica mesmo estando distante das bordas de placas tectônicas. Tensões acumuladas no interior da Placa Sul-Americana podem provocar pequenos deslocamentos em falhas e fraturas antigas das rochas, produzindo tremores de magnitudes variadas.
Entretanto, uma sequência de microssismos não permite prever quando ocorrerá um terremoto maior. O acompanhamento regional prosseguiu e um novo evento, de magnitude preliminar 1,7 mR, foi registrado perto de Currais Novos em 23 de outubro. Isso reforça a importância de analisar séries de observações mais longas, sem confundir a detecção de pequenos abalos com um alerta de desastre iminente.
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