Três pinturas foram retiradas de um mosteiro francês e desenhos desconhecidos apareceram escondidos na parede
A retirada das telas de Odilon Redon na Abadia de Fontfroide expôs figuras coloridas ocultas havia mais de um século.
A retirada temporária de três pinturas de Odilon Redon da biblioteca da Abadia de Fontfroide, perto de Narbonne, na França, revelou desenhos coloridos feitos diretamente na parede. Ocultos havia mais de um século atrás de La Nuit, eles oferecem novas pistas sobre a criação das obras, mas ainda não permitem determinar sua função original.
Como os desenhos ficaram escondidos atrás de La Nuit?
O pintor simbolista decorou a biblioteca de Fontfroide a convite do colecionador Gustave Fayet, que adquiriu a antiga abadia em 1908. As obras Le Jour, La Nuit e Le Silence foram instaladas no local em 1911.
Em 2026, as telas saíram pela primeira vez para uma exposição na Fondation Louis Vuitton, em Paris. Quando os responsáveis removeram La Nuit, encontraram figuras pintadas sobre a pedra que antes ficava coberta pelo painel.

O que apareceu na parede depois da remoção das pinturas?
Os desenhos incluem figuras, contornos e áreas coloridas. Segundo a Abadia de Fontfroide, algumas formas lembram personagens da composição definitiva, mas há diferenças visíveis.
- Silhuetas humanas: rostos e corpos surgem entre os traços.
- Cor sobre pedra: a tinta foi aplicada diretamente na alvenaria.
- Semelhanças: certas figuras reaparecem, transformadas, na obra final.
- Escala diferente: alguns desenhos são menores que os personagens definitivos.
O que muda na interpretação do processo criativo de Redon?
As marcas permitem comparar o trabalho feito no próprio espaço com o resultado instalado na biblioteca. Essa relação acrescenta evidência material, sem explicar sozinha a intenção do artista.
Por que ainda não se conhece a finalidade dos esboços?
Os traços podem representar ensaios para as telas ou uma ideia anterior de pintar diretamente a biblioteca. A própria abadia apresenta ambas as possibilidades, sem escolher uma como explicação definitiva.

O diretor Alexandre d’Andoque de Sériège considera provável que tenham sido feitos durante uma estadia de Redon em março de 1910. Como relata a revista Smithsonian, essa hipótese se baseia na trajetória do projeto, não numa data inscrita na parede.
Como os desenhos passaram a ser apresentados ao público?
Os painéis emprestados integram uma mostra dedicada a Gustave Fayet em Paris. Enquanto eles estão ausentes, a biblioteca de Fontfroide permite observar os desenhos normalmente escondidos.
- Paris: exposição de Fayet até 8 de março de 2027.
- Fontfroide: visitas revelam os traços por tempo limitado.
- Novas obras: criações de Omar Ba e Bernard Frize ocupam a biblioteca.
- Retorno: os painéis devem voltar às posições originais.
A parede acrescenta uma etapa visível à história das pinturas
Os desenhos antes escondidos mostram que Redon deixou marcas de seu trabalho no próprio ambiente que receberia as telas. Comparar essas figuras às obras acabadas pode ajudar a estudar escolhas de forma, cor e escala durante a elaboração do conjunto.
A Abadia de Fontfroide prevê que os traços voltem a ficar ocultos quando os painéis retornarem. A descoberta amplia o conhecimento sobre a criação artística, mesmo sem esclarecer se eram estudos preparatórios ou o começo de outro projeto.
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