Senado do Paraguai suspende votação sobre renúncia de Santiago Peña
Congresso deve retomar os trabalhos de impeachment na sexta, 6; Presidente diz que apresentará defesa
O Senado do Paraguai interrompeu nesta quinta-feira, 5, a sessão que analisava a renúncia do presidente Santiago Peña.
Peña é apontado como responsável pela crise envolvendo o Ueno Bank, maior emissor de cartões de crédito do país. Milhões de clientes ficaram sem acesso aos próprios depósitos.
A votação foi suspensa após parlamentares do Partido Colorado, sigla de Peña, deixarem o plenário. Com isso, não houve quórum suficiente para dar continuidade à sessão.
Nesse cenário, a renúncia não foi aceita, e Peña permanece no cargo.
A expectativa é que a sessão seja retomada na sexta-feira, 6, já com a pauta de impeachment do presidente.
A saída dos parlamentares ocorreu após um longo debate entre governistas e oposicionistas sobre o futuro de Peña.
Impasse
No início da tarde, a Câmara aprovou, por unanimidade, com 78 votos, a abertura de um processo de impeachment contra Peña.
A oposição defendia que o Congresso rejeitasse a renúncia e desse continuidade ao processo de impeachment. Os parlamentares argumentavam que a saída voluntária permitiria a Peña assumir uma vaga de senador vitalício, com direito a foro privilegiado.
Os governistas, por sua vez, sustentavam que aceitar a renúncia seria a maneira mais rápida de encerrar a crise política e permitir a transferência de poder ao vice-presidente, Pedro Alliana.
Nova carta
Em uma nova carta, Peña afirmou que apresentará sua defesa no processo de impeachment para prestar esclarecimentos à população paraguaia.
“Queridos compatriotas: Sei que estamos vivendo horas de preocupação e incerteza. Quero falar-lhes com clareza e serenidade.
Diante da continuidade do processo de impeachment, apresentarei-me e exercerei meu direito à defesa. Farei isso com argumentos e provas, com respeito à Constituição e às instituições da República.
Mesmo que já tenham adiantado sua decisão, exercerei esse direito. Não por uma questão de orgulho pessoal, mas porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade perante o povo paraguaio. Colaborarei plenamente com as instituições competentes para que se esclareça o ocorrido, se determinem as responsabilidades e aqueles que tenham infringido a lei respondam perante a Justiça.
Fornecerei as informações que me forem solicitadas. A cidadania merece conhecer a verdade, sem encobrimentos e sem que ninguém esteja acima da lei.
Mas quero deixar algo muito claro: o pagamento aos poupadores não pode ficar pendente do que ocorra comigo. A discussão sobre minha continuidade no cargo não pode paralisar as soluções de que necessitam as famílias afetadas. Minha prioridade foi impulsionar, dentro da lei e em coordenação com as instituições responsáveis, as medidas necessárias para que os poupadores recuperem seus depósitos.
Esclarecer os fatos e resolver os pagamentos são obrigações que devem avançar ao mesmo tempo. Uma não pode ser desculpa para postergar a outra. Peço-lhes que preservemos a calma e a paz.
O reclamo da cidadania merece ser ouvido e atendido com respeito, informação clara e ações concretas. Meu destino pessoal não está acima do Paraguai. Seja qual for o resultado deste processo, atuarei com responsabilidade e respeito à Constituição. Meu compromisso é com a verdade, com as instituições e, acima de tudo, com as famílias paraguaias. Que Deus abençoe o Paraguai.”
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