Uma taça romana muda de verde para vermelho conforme a luz e cientistas finalmente conseguiram repetir o efeito antigo
Experimentos em Sheffield recuperaram as cores do vidro dicróico romano, mas a técnica original de fabricação ainda não foi totalmente esclarecida.
A Taça de Licurgo, criada no século IV, parece verde quando iluminada pela frente e vermelha quando a luz atravessa seu vidro. Pesquisadores da Universidade de Sheffield conseguiram reproduzir esse comportamento em um novo material vítreo. O resultado, anunciado em outubro de 2026, recupera o efeito óptico, mas não estabelece a receita exata usada pelos romanos.
Por que a Taça de Licurgo muda de verde para vermelho?
A mudança ocorre porque nanopartículas de ouro e prata presentes no vidro interagem com a luz. Essas estruturas, menores que os comprimentos de onda da luz visível, alteram quais cores são absorvidas, espalhadas ou atravessam o material.
Quando a iluminação incide na parte externa, predomina a aparência verde e opaca. Com uma fonte luminosa atrás ou dentro do recipiente, o vidro transmite luz avermelhada. Esse comportamento é chamado de dicroísmo e caracteriza a peça conservada no British Museum, em Londres.

Quais elementos explicam as cores do vidro romano?
O fenômeno depende tanto da composição quanto das condições de fabricação. Pequenas variações podem mudar a formação das partículas metálicas e, consequentemente, a aparência final do vidro.
- Matriz vítrea: envolve e mantém dispersas as partículas.
- Ouro: contribui para a resposta óptica das inclusões metálicas.
- Prata: combina-se com o ouro em partículas extremamente pequenas.
- Aquecimento: influencia a formação e o crescimento dessas estruturas.
O que diferencia a peça romana da reprodução moderna?
A taça antiga reúne decoração esculpida e um vidro incomum. Seu relevo mostra o mítico rei Licurgo preso por videiras após desafiar Dioniso. A equipe contemporânea concentrou-se em recuperar a propriedade óptica, sem afirmar que reconstruiu todas as técnicas originais.
Como os pesquisadores conseguiram reproduzir o vidro antigo?
A especialista Lisa Hollands trabalhou com a pesquisadora Caroline Jackson para desenvolver uma base vítrea que imitasse materiais romanos. A equipe usou insumos modernos, ajustando composição, tipos de forno e condições de fusão até obter o contraste desejado.

Os testes incluíram mudanças na quantidade de oxigênio e até experiências com açúcar. O estudo publicado em 2025 descreve a fase inicial da pesquisa; o anúncio de outubro de 2026 apresentou a continuidade do trabalho e a escultura feita com o material.
O que a experiência revela sobre os artesãos romanos?
A reprodução demonstra que é possível recuperar um fenômeno antigo usando conhecimento sobre vidro e nanopartículas. Mas ela não responde definitivamente como os artesãos do século IV controlavam o processo.
- Capacidade prática: os romanos produziram um vidro de comportamento excepcional.
- Composição: metais em pequenas quantidades alteram a interação com a luz.
- Processo: a sequência original de fabricação continua desconhecida.
- Intenção: não há certeza sobre o planejamento deliberado do efeito.
A nova reprodução esclarece a ciência sem encerrar a história
O avanço de Sheffield está em obter o efeito verde e vermelho em vidro utilizável para novas peças. Tentativas anteriores já haviam produzido mudanças semelhantes com outros materiais, inclusive compósitos destinados à impressão 3D.
Na Taça de Licurgo, a física das nanopartículas ajuda a explicar o que os olhos veem. A reprodução moderna aproxima pesquisadores das possibilidades técnicas da Antiguidade, embora não prove que os vidreiros romanos seguissem a mesma receita ou conhecessem a explicação científica atual.
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