Levaram água do oceano para minas localizadas no meio do deserto, a uma altitude de quase 4.000 metros: um trabalho que desafia a força da natureza nos Andes
A iniciativa pretende transportar água retirada do oceano Pacífico por aproximadamente 195 quilômetros de tubulações,
Uma obra de engenharia está desafiando as condições extremas da Cordilheira dos Andes para resolver um dos maiores problemas da mineração no norte do Chile. A iniciativa pretende transportar água retirada do oceano Pacífico por aproximadamente 195 quilômetros de tubulações, atravessando o árido deserto do Atacama até uma operação mineradora localizada a cerca de 4.400 metros de altitude.
O projeto utiliza dessalinização e um complexo sistema de bombeamento para reduzir a dependência de rios e reservas subterrâneas de água doce.
Como a água do oceano chegará até uma mina a 4.400 metros de altitude?
A iniciativa pertence à Companhia Minera Doña Inés de Collahuasi e integra o projeto C20+. A estrutura começa em Puerto Patache, na região de Tarapacá, onde uma usina transformará água salgada em água adequada para abastecer as instalações mineradoras de Ujina.
O empreendimento foi planejado para enfrentar a escassez hídrica em uma das regiões mais secas do planeta, diminuindo a pressão sobre os recursos continentais.
Quais são os números impressionantes da obra de engenharia?
A infraestrutura reúne equipamentos de grande porte para superar a distância e o desnível entre o litoral e a região montanhosa. Entre os principais números divulgados estão:
Os números que impressionam na obra que leva água do oceano aos Andes
Uma infraestrutura de alta complexidade para transportar água dessalinizada até uma mina no deserto chileno.
Como funciona a tecnologia que transforma água salgada em água doce?
O processo utiliza a dessalinização, especialmente a tecnologia de osmose reversa, que separa os sais e outras substâncias da água captada no oceano. Depois do tratamento, o recurso segue pela tubulação em direção às instalações mineradoras.
Para aproveitar o desnível do percurso, o projeto também prevê uma turbina Pelton, capaz de recuperar parte da energia durante o transporte da água.
Quais obstáculos ambientais ameaçam o empreendimento?
Apesar da dimensão tecnológica, o projeto enfrenta questionamentos relacionados aos impactos sobre o ambiente marinho. Organizações e comunidades costeiras demonstraram preocupação com a captação de água e o descarte da salmoura concentrada resultante da dessalinização.
Entre os principais pontos de preocupação estão:
- Possíveis alterações no ecossistema marinho.
- Impactos da descarga de salmoura no oceano.
- Consequências para comunidades indígenas e atividades tradicionais.
- Necessidade de reavaliar os efeitos ambientais da operação.
Em 15 de maio de 2026, o Segundo Tribunal Ambiental do Chile acolheu uma reclamação de associações indígenas de Caleta Chanavaya e anulou a autorização ambiental favorável, determinando uma nova análise dos impactos.

Quando o sistema começará a transportar água para a mineração?
A construção do sistema de bombeamento começou em 2022. Em abril de 2026, a construtora Techint informou que havia concluído as obras dessa estrutura.
Entretanto, a conclusão do sistema de bombeamento não significa que toda a operação esteja funcionando em capacidade máxima. A usina de dessalinização e o transporte efetivo da água ainda precisam ser considerados separadamente.
O empreendimento representa uma alternativa importante para a mineração chilena, mas seu avanço depende também da resolução dos questionamentos ambientais e regulatórios.
Observação editorial: mantive a distinção entre a conclusão das obras de bombeamento e o funcionamento integral do empreendimento. Essa informação evita transmitir ao leitor que a operação já está plenamente ativa.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)