Gaviões treinados começaram a patrulhar a área externa de um hospital para afastar pombos sem depender de redes ou veneno
Hospital de Vitória utiliza um gavião treinado para afastar pombos das áreas externas e combina o manejo com ações de educação ambiental
Um gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) passou a sobrevoar as áreas externas do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes), em Vitória, no Espírito Santo. Chamado Shiluba, o animal tem seis anos e participa de um programa de falcoaria para controle de pombos. A estratégia utiliza a presença de um predador natural para afastar aves urbanas e reduzir riscos sanitários sem recorrer à eliminação sistemática dos animais.
Por que o Hucam-Ufes decidiu utilizar um gavião para afastar pombos?
O hospital, localizado no bairro Maruípe, possui edificações antigas, telhados, beirais e uma lagoa que favorecem a permanência de aves. Um levantamento preliminar identificou aproximadamente 60 pombos no entorno da instituição, despertando preocupação com o acúmulo de fezes e possíveis riscos à saúde.
Antes de adotar a falcoaria, a administração tentou fechar pontos de acesso, utilizar repelentes e promover campanhas educativas. Como essas medidas apresentaram limitações, a equipe buscou uma alternativa complementar. O planejamento envolveu profissionais de controle ambiental, responsáveis pela segurança e especialistas em manejo de aves.
Como funciona a falcoaria para controle de pombos nas áreas hospitalares?
O gavião Shiluba realiza voos programados sobre telhados e espaços abertos, acompanhado por um falcoeiro. Os pombos reconhecem a presença de uma ave de rapina como um possível perigo e tendem a abandonar locais onde percebem maior risco de predação.
A operação reúne cinco medidas de manejo:
- Mapeamento dos pontos de concentração de pombos;
- Definição de rotas e horários para os voos;
- Utilização de uma ave treinada sob supervisão;
- Redução de alimentos disponíveis nas áreas externas;
- Orientação de funcionários, pacientes e visitantes.

Por que a presença de um predador altera o comportamento dos pombos urbanos?
Os pombos domésticos (Columba livia) avaliam continuamente possíveis ameaças. Quando identificam um predador, podem interromper a alimentação, levantar voo e procurar locais mais protegidos. Esse comportamento defensivo permite reduzir a exposição a ataques.
A falcoaria aproveita essa resposta natural sem depender necessariamente da captura das aves. Entretanto, os pombos podem retornar caso continuem encontrando comida e abrigo. Por isso, o afastamento precisa ser combinado com limpeza, descarte adequado de resíduos e acompanhamento das áreas utilizadas.
O que os profissionais do Hucam-Ufes explicaram sobre o uso do gavião treinado?
Em comunicado oficial publicado pela HU Brasil em julho de 2026, o hospital informou a contratação de uma empresa especializada em manejo ambiental. O contrato prevê um ano de atividades, organizado em ciclos trimestrais e acompanhado por ações educativas.
O biólogo David Salles explicou que o objetivo é reduzir riscos sanitários associados à concentração de pombos. A infectologista Rubia Miossi destacou doenças como criptococose, histoplasmose e salmonelose. A presença dessas aves, porém, não significa que todos os indivíduos estejam infectados ou transmitam doenças.
Quais números mostram o funcionamento da falcoaria para controle de pombos?
Shiluba é um macho de seis anos que também participa de operações no Aeroporto de Vitória, onde atua ao lado de outras três aves. No hospital, os voos são realizados preferencialmente pela manhã, quando os pombos deixam seus abrigos para procurar alimento.
Segundo os responsáveis, as rondas começaram semanalmente e passaram a ocorrer quinzenalmente. A equipe relatou uma redução perceptível na presença de pombos, mas ainda não apresentou uma nova contagem que permita calcular o percentual de diminuição.
| Indicador do programa | Informação registrada |
|---|---|
| Gavião utilizado | Shiluba, de 6 anos |
| Pombos no levantamento inicial | Aproximadamente 60 |
| Duração contratual prevista | 12 meses |
| Organização do contrato | Ciclos trimestrais |
| Frequência relatada das rondas | De semanal para quinzenal |
A falcoaria para controle de pombos pode funcionar em outros espaços urbanos?
A técnica também é utilizada em aeroportos, portos e instalações industriais, onde a concentração de aves representa problemas operacionais. Sua aplicação exige profissionais habilitados, planejamento das rotas e respeito às exigências ambientais, além de acompanhamento do bem-estar das aves de rapina.
No Hucam-Ufes, o principal desafio será verificar se a redução observada permanece ao longo dos meses. O afastamento inicial dos pombos não comprova uma diminuição permanente da população. Sem eliminar fontes de alimento e locais inadequados de abrigo, as aves podem retornar ou simplesmente ocupar áreas próximas, transferindo o problema para outros espaços urbanos.
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