Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia ao cargo
Decisão foi anunciada em meio à realização de uma sessão na Câmara para analisar a abertura de um processo de impeachment contra ele
O presidente do Paraguai, Santiago Peña (foto), renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5.
A decisão foi anunciada em meio à realização de uma sessão extraordinária na Câmara dos Deputados para analisar a abertura de um processo de impeachment contra ele.
Peña é apontado como responsável pela crise envolvendo o Ueno Bank, maior emissor de cartões de crédito do país.
Em vídeo, ele disse que tomou a decisão pensando na estabilidade do país.
“Queridos compatriotas, hoje me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida, com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância. A história se encarregará de julgar e colocar na sua devida dimensão os acontecimentos que hoje nos toca vivenciar. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas.
Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo, caso em algum momento eu tenha falhado. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. A cada dia, assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai; contudo, hoje, minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro.
Por trás de cada depósito, há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares. Meu maior desejo é que se garanta a preservação desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua finalidade e que sejam protegidos os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios.
Queridos compatriotas, somos um país que atravessou momentos muito difíceis e que sempre soube se reerguer. Confio profundamente na força do nosso povo e na capacidade das nossas instituições para superar esta situação. Hoje, devemos demonstrar, mais uma vez, que a democracia é respeitada, que as instituições são preservadas e que o Paraguai está acima das nossas diferenças. Nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República. Nenhuma pessoa está acima do Paraguai. Agradeço pela confiança em cada momento vivido e por terem me concedido a honra de servir a esta grande nação. Que Deus abençoe cada família paraguaia e que Deus abençoe o Paraguai.”
Entenda a crise do Ueno Bank
O índice de solvência do Ueno Bank, que mede sua capacidade de pagamento, caiu para menos da metade do mínimo exigido após ajustes em seus balanços.
Na prática, a decisão suspendeu as operações do banco e deixou milhões de clientes sem acesso às contas.
A situação levou o Banco Central paraguaio a dar início a um procedimento para “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”.
“Nesse contexto, a Superintendência de Bancos providenciará a nomeação de auditores para verificar a situação financeira na data da resolução. Os auditores priorizarão a preservação do patrimônio da entidade e a execução, no âmbito de suas competências legais, das ações necessárias para assegurar o desenvolvimento ordenado do procedimento resolutivo”, informou o Banco Central do Paraguai em comunicado.
O Ministério Público do Paraguai iniciou um processo investigativo sobre o caso, determinando a prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira.
De propriedade majoritária do Grupo Vázquez, o Ueno Bank tem cerca de 3 milhões de clientes e administra cerca de 850 milhões de dólares em fundos públicos no Paraguai.
Peña teve participação societária na estrutura empresarial ligada ao Ueno Bank, por meio da Ueno Holding, até março de 2025.
Carlos Carvallo, agora ex-presidente do Banco Central paraguaio, comandou a financeira Ueno antes de sua transformação em banco, em 2023.
As duas conexões levantam suspeitas de conflito de interesses e questionamentos sobre a fiscalização da instituição.
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Comentários (1)
vitormarcati
05.11.2026 15:12Posto isso é só montar no jatinho e se mudar pra Miami kkkkkkk