Na Antártida, a agência de correios mais ao sul do mundo fica numa ilha do tamanho de um campo de futebol, ao lado de mil pinguins
Antiga Base A britânica envia cerca de 70 mil cartões por ano a mais de cem países e recebe até 18 mil visitantes por temporada
Cerca de 70 mil cartões postais saem todo ano de Port Lockroy, uma antiga base britânica na Antártida, rumo a mais de cem países. Segundo o governo do Território Antártico Britânico, ali funciona a agência pública de correios mais ao sul do Reino Unido, apelidada de Penguin Post Office. Os vizinhos de porta são mais de mil pinguins, que fazem ninho entre as cabanas históricas.
A agência fica numa ilha do tamanho de um campo de futebol
A agência fica na Ilha Goudier, um pedaço de rocha perto da Ilha Wiencke, na Península Antártica, a 64°49′ de latitude sul. O material de recrutamento do UK Antarctic Heritage Trust diz que dá para dar a volta na ilha a pé em poucos minutos. A área é parecida com a de um campo de futebol, a cerca de 15 mil quilômetros do Reino Unido.

Nesse espaço mínimo ficam três construções históricas. A principal, Bransfield House, reúne o museu, a agência postal e a loja, segundo a página oficial de Port Lockroy mantida pela entidade. O dinheiro da loja e dos correios paga a operação da base e ajuda a conservar outros sítios históricos britânicos no continente gelado.
Como funciona o correio dos pinguins em Port Lockroy?
O correio só abre no verão austral, de novembro a março, quando navios de expedição levam turistas à península. Os visitantes postam ali mesmo os cartões, que seguem para mais de cem países. A entidade fala em até 18 mil visitantes por temporada, e o porto é hoje o destino mais visitado da Antártida, segundo o próprio trust.
A agência é um posto postal oficial, que o trust opera em nome do governo do território. O agente postal da temporada 2026/27 é George Clarke, vice-líder da base, de acordo com o anúncio da equipe antártica de 2026. No Atlântico Sul há outro arquipélago onde as aves superam os moradores, e o site já contou essa história.
Base A nasceu de uma missão secreta britânica em 1944
Port Lockroy foi fundada em 11 de fevereiro de 1944 como Base A da Operação Tabarin, uma missão britânica secreta da Segunda Guerra Mundial. Em 1945, a base passou ao órgão que antecedeu o British Antarctic Survey e funcionou como estação de pesquisa até janeiro de 1962. Em 1995, virou o Sítio e Monumento Histórico nº 61 do Tratado da Antártida. Foi restaurada em 1996 e é administrada pelo trust desde 2006.

A entidade publicou no seu canal oficial uma palestra sobre essa trajetória. O vídeo, em inglês, mostra como a missão de guerra deu origem à agência postal que hoje recebe turistas.
Quem cuida da ilha e o que muda na temporada 2026/27?
Nesta temporada, oito pessoas passam cinco meses em Port Lockroy, com luz do dia quase 24 horas. A líder da base é Carole McCullough, ex-oficial da Força Aérea britânica, e a equipe tem gerente de loja, carpinteiros de conservação e a monitora de fauna Alice Parr. O serviço vai do fim de outubro de 2026 ao fim de março de 2027, segundo a página de vagas do UK Antarctic Heritage Trust.
Uma das tarefas centrais é contar o pinguim-gentoo, também chamado de pinguim-papua. A colônia tem mais de mil aves e é monitorada desde 1996, com exceção de 2020/21, quando a base fechou na pandemia, informa o guia do trust sobre a espécie. A ave mede de 70 a 90 centímetros e põe dois ovos em ninhos de pedrinhas e penas. A contagem ajuda a medir o efeito dos turistas e a regular o número de navios.
Daqui para frente, vale acompanhar os próximos censos dos gentoos, já que a série de monitoramento completa 30 anos nesta temporada. A seleção para 2027/28 ainda não tem data e exige residência no Reino Unido e preparo físico para carregar galões de 20 litros de água. As informações oficiais ficam no site do trust e na página do governo do território. Se você sonha em visitar a ilha ou trabalhar lá, confira essas fontes antes de fazer as malas.
Do mesmo canto gelado do planeta vem outra história que chamou atenção: a de um dos maiores icebergs já registrados, que encalhou perto de outro território britânico.
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