Câmara do Paraguai analisa abertura de impeachment contra Santiago Peña
Presidente paraguaio é apontado como responsável pela crise envolvendo o Ueno Bank, maior emissor de cartões de crédito do país
O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, convocou para esta quinta-feira, 5, duas sessões extraordinárias para analisar a abertura de processos de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice Pedro Alliana em função da crise do Ueno Bank, maior emissor de cartões de crédito do país.
Trinta e cinco deputados apresentaram o documento de acusação contra o presidente paraguaio, por considerá-lo responsável pela crise bancária no país.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada Rocío Vallejo, pouco antes de apresentar moção de impeachment do presidente.
Entenda a crise do Ueno Bank
O índice de solvência do Ueno Bank, que mede sua capacidade de pagamento, caiu para menos da metade do mínimo exigido após ajustes em seus balanços.
Na prática, a decisão suspendeu as operações do banco e deixou milhões de clientes sem acesso às contas.
A situação levou o Banco Central paraguaio a dar início a um procedimento para “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”.
“Nesse contexto, a Superintendência de Bancos providenciará a nomeação de auditores para verificar a situação financeira na data da resolução. Os auditores priorizarão a preservação do patrimônio da entidade e a execução, no âmbito de suas competências legais, das ações necessárias para assegurar o desenvolvimento ordenado do procedimento resolutivo”, informou o Banco Central do Paraguai em comunicado.
O Ministério Público do Paraguai iniciou um processo investigativo sobre o caso, determinando a prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira.
De propriedade majoritária do Grupo Vázquez, o Ueno Bank tem cerca de 3 milhões de clientes e administra cerca de 850 milhões de dólares em fundos públicos no Paraguai.
Santiago Peña
O presidente do Paraguai teve participação societária na estrutura empresarial ligada ao Ueno Bank, por meio da Ueno Holding, até março de 2025.
O agora ex-presidente do Banco Central paraguaio Carlos Carvallo comandou a financeira Ueno antes de sua transformação em banco, em 2023.
As duas conexões levantam suspeitas de conflito de interesses e questionamentos sobre a fiscalização da instituição.
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