Pegadas de dinossauros continuam marcadas nas rochas da Chapada das Mesas e transformaram uma paisagem de cachoeiras em arquivo do Cretáceo
Descoberta no sul do Maranhão revelou 78 pegadas fossilizadas do Jurássico e abriu uma nova oportunidade para estudar os dinossauros que habitaram a região
Na região da Chapada das Mesas, no sul do Maranhão, pesquisadores identificaram pelo menos 78 pegadas fossilizadas de dinossauros, distribuídas em sete áreas rochosas. O sítio fica em Fortaleza dos Nogueiras e revelou vestígios do Jurássico Inferior, há aproximadamente 200 milhões de anos, e não do Cretáceo. A descoberta amplia o conhecimento sobre os dinossauros que habitaram o Brasil.
Como as pegadas de dinossauros foram descobertas na Chapada das Mesas?
O achado ocorreu no início de 2024, durante um levantamento de atrativos turísticos às margens do Rio Mosquito. Um profissional de turismo percebeu marcas incomuns nas rochas e procurou o paleontólogo Manuel Alfredo Medeiros, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), para avaliar sua possível origem.
Uma visita técnica confirmou que as impressões haviam sido produzidas por dinossauros. A descoberta mobilizou pesquisadores de diferentes universidades brasileiras, que passaram a examinar as características das marcas e das camadas sedimentares. O local, situado no Tangará Ecopark, ganhou importância científica por preservar registros raros desse período geológico.
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O que as pegadas da Chapada das Mesas revelam sobre os dinossauros?
O levantamento identificou diferentes formatos de impressões, incluindo marcas tridáctilas, com três dedos, associadas principalmente a dinossauros terópodes. Esses animais caminhavam sobre duas patas e incluíam espécies carnívoras de diferentes tamanhos, embora as pegadas não permitam identificar diretamente uma espécie específica.
As observações paleontológicas revelaram características importantes do conjunto:
- Pelo menos 78 pegadas preservadas nos afloramentos;
- Sete áreas rochosas com registros fossilizados;
- Cinco padrões morfológicos diferentes de impressões;
- Marcas tridáctilas associadas a dinossauros bípedes;
- Vestígios de garras preservados em determinadas pegadas.
Um vídeo oficial divulgado pela Secretaria de Estado do Turismo do Maranhão, em janeiro de 2025, apresenta a Chapada das Mesas e destaca as pegadas de dinossauros de Fortaleza dos Nogueiras entre seus atrativos paleontológicos.
Como pegadas conseguem permanecer preservadas durante milhões de anos?
A fossilização começa quando um animal pisa sobre uma superfície sedimentar capaz de registrar sua passagem. A areia ou lama precisa apresentar consistência suficiente para manter a impressão sem desaparecer imediatamente. Camadas posteriores podem soterrar essas marcas e protegê-las contra erosão.
Ao longo de milhões de anos, os sedimentos se transformam em rochas. Movimentos geológicos e desgaste natural podem expor novamente as superfícies fossilizadas. Diferentemente dos esqueletos, esses registros preservam informações sobre locomoção, direção dos passos e possível comportamento, embora nem todas essas características possam ser reconstruídas com precisão.
Qual estudo científico confirmou a importância paleontológica da Chapada das Mesas?
A pesquisa foi liderada pelo geólogo Ismar de Souza Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em colaboração com Manuel Alfredo Medeiros e especialistas de outras instituições. O estudo publicado na revista Italian Journal of Geosciences, em junho de 2025, descreveu pegadas encontradas nos arenitos da Formação Mosquito, pertencente à Bacia do Parnaíba.
A equipe analisou a morfologia das impressões e o contexto sedimentar das rochas. Os resultados indicaram ambientes antigos associados à interação entre depósitos eólicos e lacustres, onde os dinossauros deixaram suas marcas. A investigação também diferenciou esses registros jurássicos de fósseis cretáceos encontrados em outras formações maranhenses.

Quantas pegadas foram encontradas e qual é a idade das rochas?
O conjunto reúne pelo menos 78 impressões distribuídas por sete afloramentos, com cinco morfotipos reconhecidos. Essas diferenças indicam variações anatômicas entre os animais, mas não comprovam automaticamente a presença de cinco espécies distintas. Um mesmo dinossauro pode produzir marcas diferentes conforme o sedimento.
As rochas pertencem ao Jurássico Inferior, aproximadamente 200 milhões de anos atrás. Isso torna o sítio particularmente relevante, pois o Brasil possui registros mais abundantes de dinossauros do Cretáceo. As pegadas maranhenses ajudam a preencher uma lacuna anterior na história desses animais.
| Indicador paleontológico | Resultado documentado |
|---|---|
| Pegadas identificadas | Pelo menos 78 |
| Áreas de afloramento | 7 |
| Morfotipos reconhecidos | 5 padrões |
| Idade aproximada | 200 milhões de anos |
| Unidade geológica | Formação Mosquito — Jurássico Inferior |
Por que a descoberta pode transformar o turismo e a preservação da Chapada das Mesas?
O sítio passou a integrar a Trilha das Pegadas, no Tangará Ecopark, em Fortaleza dos Nogueiras. A visitação guiada permite observar as marcas enquanto apresenta informações sobre sua origem. O acompanhamento também ajuda a evitar pisoteamento, retirada de fragmentos e danos às superfícies fossilizadas.
Os pesquisadores pretendem ampliar os levantamentos em áreas próximas, onde outros vestígios podem permanecer encobertos. A descoberta demonstra que a paisagem conhecida por cachoeiras e formações rochosas também conserva evidências de ambientes muito antigos. Preservar essas pegadas significa proteger registros de movimentos reais de animais extintos, informações que dificilmente poderiam ser recuperadas apenas pelo estudo de ossos.
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